segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O Guia de Colina para Calouros (II)

Atenção: o uso da colina e sua suplementação devem ser orientados por um nutricionista; enquanto o uso de remédios nootrópicos deve ser orientado por um médico. Esse artigo tem apenas fins informativos.


Parte 2: É necessário usar a colina junto com o Nootropil (piracetam)?

Há certas combinações que parecem perfeitas. Romeu e Julieta e, se você não é de São Paulo, pizza com ketchup. No mundo dos nootrópicos, a colina é a tampa e o famoso piracetam (encontrado na forma de Nootropil, nas farmácias) é a panela. 

Pelo menos, os entusiastas de nootrópicos cravaram na pedra o Décimo Primeiro Mandamento: deverás combinar piracetam (ou qualquer outro racetam) com colina para obter o máximo de efeitos cognitivos. 

Isso é apenas broscience ou esse stack de fato tem mais benefícios do que usar colina ou piracetam isoladamente? É preciso aumentar o consumo de colina ao usar piracetam? 

Relembrando a importância da colina
Primeiro: como já foi explicado na parte I da série "O Guia de Colina", a colina é um nutriente fundamental para o cérebro. Ela forma a fosfatidilcolina, que são os tijolos da muralha de proteção que cerca cada um dos seus neurônios (e outras células do corpo, também). 

Essa muralha decide o que entra e o que sai dos neurônios. Sem colina, seu cérebro não consegue absorver muito bem nutrientes, nem secretar lixo com eficiência.

Além de manter a "casa em ordem" e garantir a saúde dos neurônios, a colina também participa na fabricação de acetilcolina, um dos principais neurotransmissores envolvidos na memória e no aprendizado. 

Piracetam ou colina: o que é mais importante?

Esses são apenas dois dos efeitos da colina - há muitos outros. O moral da história é que, por si só, a colina é fundamental. 

O mesmo não podemos falar dos racetams, que são medicamentos sintéticos. Sim, há uma montanha de estudos mostrando benefícios cognitivos do uso de piracetam em pessoas saudáveis. Mas seu cérebro não precisa do piracetam e não deteriora se você não o utiliza.

Enquanto o piracetam é um "plus", a colina é uma necessidade. E, para começo de conversa, muitas pessoas são deficientes de colina. Nos Estados Unidos, a população de adultos com deficiência de colina é de 90% (1). É um número assustador.

Então, a colina é mais importante. Se você tiver que escolher entre o piracetam ou a colina (veremos as fontes desse nutriente na parte III do Guia), escolha a colina. 

Não ponha a carroça na frente dos bois: a alimentação equilibrada (onde a colina está inclusa), o exercício físico e a qualidade do sono vem antes de qualquer nootrópico - e são fundamentais para o próprio funcionamento deles.

Piracetam com colina: há benefícios na combinação?
Combinação de citicolina (fonte de colina) com piracetam, vendida na Índia. A imagem de um cérebro na embalagem dá ideia da intenção dos fabricantes. A medicação foi aprovada como eficiente em Alzheimer
Você já sabe que a colina é essencial. Suponhamos, então, que você não possua qualquer deficiência em colina (e consuma os 550 mg recomendados pela Anvisa [2]). 

Nesse caso, é preciso ou há benefícios no aumento do consumo de colina ao fazer uso do piracetam (Nootropil) ou outra forma de racetam? É verdade que consumir o piracetam sem a colina causa dores de cabeça? Vamos ver o que a ciência diz.

Em março de 1981, o periódico norte-americano Neurobiology of Aging divulgou um estudo investigando a coingestão de piracetam e colina em ratos idosos (3). 

Esse estudo contou com alguns pesquisadores da American Cyanamid, uma empresa que comercializava suplementos de colina. Então, há certos bias e você deve olhar para os resultados com ceticismo. Além disso, relembre que os ratos já tinham problemas de memória por causa da idade avançada. Com isso em mente, vamos analisar o estudo:

Os pesquisadores usaram 344 ratos idosos como cobaias. Para avaliar como que a combinação de piracetam com colina influenciava a memória dos roedores, os pesquisadores os dividiram em quatro grupos distintos.
  • Placebo (soro fisiológico)
  • Apenas colina
  • Apenas piracetam
  • Uma combinação de piracetam com colina (numa proporção de 1:1)
Todos os ratos foram submetidos à um teste de memória antes e depois dos tratamentos. Assim, se os roedores que receberam o combo piracetam + colina obtivessem maior desempenho que os colegas, haveria um indicativo para o potencial terapêutico dessa combinação.

O resultado do teste de esquiva inibitória
Para você entender como esse teste de memória funciona, te proponho algumas perguntas: você atravessa a rua sem olhar pros lados? Coloca os dedos em uma tomada elétrica? Ou então andaria despreocupado por um lugar perigoso onde você já foi assaltado uma vez?

Se você não é um viciado em adrenalina, sua resposta foi "não" para todas as perguntas. Você sente medo dessas situações porque aprendeu a sentir medo. Esse aprendizado - que é uma forma de memória - é essencial para a sua sobrevivência.

Os ratos também aprendem a sentir medo. E é justamente isso que os pesquisadores exploram no teste de esquiva inibitória. No teste, os ratos são colocados em câmeras, que tem dois ambientes: um iluminado e outro escuro - e há uma pequena porta separando os dois.



Os ratos possuem hábitos noturnos e, assim, é uma tendência natural que eles fiquem no ambiente escuro. Porém, quando os ratos cruzam a porta e chegam na parte não iluminada, eles recebem um pequeno choque elétrico por dois segundos.

Os ratos irão associar certas características do compartimento (a escuridão) com o choque. Terão criado um "trauma" - e isso indica a consolidação de memórias.

A fim de avaliar a memória e o aprendizado, os ratos são colocados de volta, 24 horas depois, no compartimento claro. Quanto mais tempo evitarem o compartimento escuro, maior foi a aquisição do aprendizado e a memória de que aquele ambiente está associado ao choque.


Da esquerda para a direita, as barras indicam: "placebo", "colina", "piracetam" e "combinação de piracetam e colina"

Na esquerda, está a performance dos ratos no pré-treinamento. Observe que quase não há nenhuma variação no desempenho deles: todos demoraram menos de 20 segundos para entrar na câmera escura. O tempo é dado no eixo vertical (ordenadas).

Agora, analise a barra direita - que avalia a aquisição do aprendizado 24 horas após o choque. O grupo do soro fisiológico (saline) foi quem teve pior retenção de aprendizado.

Já os ratos que usaram colina ou piracetam isoladamente se deram melhor que o grupo placebo. No entanto, esse não foi um resultado muito expressivo.

No entanto, ao analisarmos a combinação de piracetam com colina, é fácil observar que ela teve efeitos dramáticos e bem mais robustos que qualquer outro tratamento.

O desempenho de memória e aprendizado no grupo de ratos que coingeriu piracetam com colina é bem maior - eles ultrapassam a barreira dos 150 segundos no ambiente claro. É um indicativo muito forte da consolidação da memória e aquisição de aprendizado.

O piracetam aumentou a consolidação de aprendizados em
ratos idosos
Os pesquisadores desse estudo foram além. Eles também avaliaram se o combo de piracetam e colina teria algum efeito cumulativo, ou seja, mais benefícios se usado em longo prazo. Um novo grupo de ratos foi usado para esse experimento.

Agora, além do grupo placebo (saline), um grupo de ratos recebeu o dobro da dose de colina que foi usada no primeiro experimento (choline chronic and acute). O mesmo foi feito, isoladamente, com o piracetam (piracetam chronic and acute). Essas doses foram administradas 30 minutos antes do experimento do choque e ao longo de uma semana pré-teste.

Outro grupo recebeu a combinação de piracetam com colina (P + C acute) apenas uma vez, 30 minutos antes do teste de memória. Outro grupo recebeu o mesmo combo durante 7 dias (P + C chronic), mas não recebeu logo antes do teste.. Por fim, o último grupo recebeu o stack de piracetam com colina tanto 7 dias quanto 30 minutos antes do experimento (P + C chronic and acute)
Da esquerda para a direita, as barras indicam: terapia com placebo, uso crônico e agudo de colina, uso crônico e agudo de piracetam, uso agudo de piracetam com colina, uso crônico de piracetam com colina e uso crônico e agudo de piracetam com colina
Observe que o desempenho dos dois últimos grupos - que receberam piracetam com colina durante uma semana - foi bem maior que dos demais.

A combinação de piracetam com colina apenas 30 minutos antes do experimento do choque teve resultados expressivos na aquisição do aprendizado. Ainda assim, os ratos que haviam recebido a mistura de piracetam com colina haviam criado um "trauma" muito maior do ambiente escuro.
"O estudo mostra claramente que há uma interação robusta entre piracetam e colina - com efeitos comportamentais e neuroquímicos maiores do que o uso dos agentes isoladamente".  (3)

Outro estudo, dessa vez feito na Bulgária e em ratos sem problemas na memória, também reforçou o potencial da combinação de piracetam com colina (4).

Resultados conflitantes em humanos com Alzheimer

"São apenas ratos, não são humanos!", você poderia bradar. A noção de usar ratinhos de laboratório em estudo sobre drogas nootrópicas ou psicotrópicas pode até parecer ridícula. Mas, na verdade, os ratos oferecem um efeito preditivo minimamente confiável em como as mesmas drogas irão agir em humanos.

Do ponto de vista evolutivo, nós não estamos muito afastados dos roedores e por isso eles são tão usados em estudos científicos (5). O mesmo estudo que eletrocutou centenas de ratos lá em 1981 diz que "há similaridades entre o déficit de memória em ratos idosos e a perda de memória primária em humanos idosos".

Estudo indicou que a combinação de lecitina de soja e piracetam não oferece benefícios a pacientes com Alzheimer, mas foi, mais tarde, desmentido
Assim, os resultados tem efeito preditivo de como o piracetam funciona em humanos. O próximo passo, segundo os autores do estudo que mostrou os "incríveis benefícios da combinação de piracetam e colina" era investigar a combinação em pacientes geriátricos.

E, aproveitando a deixa, foi isso que outros pesquisadores, mais tarde, fizeram. Testaram a combinação de piracetam - em doses de até 9,9 gramas por dia - em conjunto com a lecitina de soja, fonte de fosfatidilcolina, em pacientes com Alzheimer.

Eles foram enfáticos ao analisar o resultado: com colina ou sem colina, o piracetam não melhorou o desempenho cognitivo de nenhum dos voluntários com Alzheimer (6).

"Piracetam, seja sozinho ou em combinação com a fosfatidilcolina (...) não aumentou desempenho em testes (cognitivos) de nenhum paciente com Alzheimer" (6).

Pode parecer mais uma daquelas situações em que a ciência fica correndo em torno do próprio rabo. É que, mais tarde, esse estudo recebeu críticas por sua formulação e conclusões limitadas.

Em 1991, pesquisadores franceses publicaram um estudo também com voluntários com Alzheimer. Dessa vez, porém, os 30 pacientes receberam o piracetam (8 gramas diárias) durante um tempo bem longo: 1 ano (7).

Esse estudo, apesar de não ter investigado a interação do piracetam a colina e se haveria, de fato, benefícios aditivos, permite descreditar o estudo anterior.

É que os pesquisadores descobriram que o piracetam conseguiu ter um efeito substancial na lentificação dos sintomas de Alzheimer. Em especial na memória e na atenção, o grupo do piracetam teve resultados melhores que o grupo que ingeriu placebo.


O grupo controle e o grupo que recebeu piracetam: ambos tiveram pior desempenho em testes cognitivos. Isso era esperado - a neurodegeneração é uma característica inerente ao Alzheimer.

Mas dessa vez, porém, os pesquisadores conseguiram comparar o grupo que havia recebido piracetam e aquele que havia recebido placebo. E o resultado: quem havia usado piracetam conseguiu atrasar o avanço dos sintomas.

Então porque o estudo de 1986 concluiu que o combo piracetam + colina era ineficaz para o Alzheimer? É que, no estudo anterior, não houve nenhuma comparação com um grupo placebo. "A lentificação da deterioração do Alzheimer é bem mais difícil de ser analisada do que a melhora no desempenho", dizem os pesquisadores francês, ao longo estudo.
"A brevidade do tempo de avaliação dos efeitos da droga pode ter dificultado a distinção entre o que era eficiência do tratamento e o que era o avanço natural do Alzheimer". (7) 

Em suma, os pesquisadores que descreditaram a combinação de piracetam com colina concluíram o óbvio: Alzheimer (com piracetam ou não) causa uma progressiva piora na atenção e na memória - e não uma melhora.

O estudo nos dizia pouco da influência do piracetam, de fato, e mais sobre a neurodegeneração do Alzheimer - o que não é novidade.

Os autores do estudo de 1993 também comentaram que há estudos sugerindo que o tratamento em longo prazo com a lecitina de soja (fonte de fosfatidilcolina) segue a mesma lógica do piracetam. Apesar da lecitina e outros precursores de colina não causarem "melhoras no desempenho cognitivo", eles diminuem o ritmo da progressão neurodegenerativa.

Daí em diante, combinar piracetam com colina se tornou a norma. Inclusive, a indústria farmacêutica da Índia teve pano na manga para lançar no mercado combinações da citicolina com o piracetam.

Nesse país, há várias empresas que comercializam uma fórmula com 500 mg de citicolina e 800 mg de piracetam (8) - uma das indicações é para o Alzheimer.

E em humanos jovens e saudáveis?
É difícil tirar muitas conclusões sobre os efeitos nootrópicos do piracetam e da colina a partir de estudos com Alzheimer - quando a piora da cognição é inevitável, de qualquer forma.

Ao analisarmos estudos em pessoas saudáveis, o piracetam demonstra ser capaz de aumentar a memória de jovens. O aumento da memória só foi observado 14 dias após a administração de 4,8 gramas de piracetam diárias (9). Em crianças com TDAH, o piracetam foi capaz de corrigir problemas de concentração (10).

Enquanto isso, fontes poderosas de colina fornecem aumento da cognição em indivíduos sem qualquer déficit cognitivo. Em mulheres adultas e saudáveis, a citicolina foi capaz de turbinar o desempenho em testes que avaliavam a atenção (11).


Não há nenhum estudo que avalie o efeito das duas drogas, combinadas, em pessoas jovens e saudáveis. Mas com base nas características farmacológicas do piracetam e das fontes de colina, não é nenhum absurdo dizer que elas, tem sim, sinergia: funcionam melhor em equipe do que sozinhas.

A colina e o piracetam estão intimamente relacionados

É bem sabido que o piracetam aumenta o consumo de colina no cérebro. Diversos estudos já destacaram que o piracetam e outros racetams possuem benefícios cognitivos por, entre outras ações, atuarem no sistema colinérgico (12) (13).

Em especial, o piracetam reduz os níveis do neurotransmissor acetilcolina no cérebro de ratos (14). Há, porém, duas maneiras de fazer isso: através da diminuição da fabricação da acetilcolina ou através de um aumento no uso da acetilcolina.

Como a acetilcolina e o sistema colinérgico tem uma interação muito forte com a formação de memória e com a consolidação do aprendizado, então a segunda hipótese é a que tem mais músculo. O piracetam necessariamente atua aumentando a transmissão colinérgica (e não inibindo-a).

Os autores do estudo que eletrocutaram ratos de laboratório, em 1981, também inferiram o mesmo. Depois de constatarem que o piracetam reduziu em 19% os níveis de acetilcolina no hipocampo (centro da memória), eles concluíram que a hipótese mais condizente com o perfil farmacológico da droga é a de que houve aumento liberação do neurotransmissor (3).

O piracetam causa aumento na liberação da acetilcolina (Ach) nas fendas sinápticas, em especial no hipocampo. A colina é usada para a biossíntese de acetilcolina e reposição do neurotransmissor.

Ao mesmo tempo, o piracetam melhora a fluidez da membrana plasmática; enquanto a colina aumenta a síntese de um dos constituintes dessa membrana. Com isso, a transmissão sináptica também é favorecida
Os autores descobriram, porém, que as fontes colinérgicas causaram um leve aumento na fabricação de acetilcolina. Assim, a colina corrigia o déficit que o piracetam causava. É por isso que a coingestão de piracetam com colina teve efeito tão positivo do que qualquer um desses agentes isoladamente.

Outra interação entre o piracetam e a colina tem a ver com a membrana plasmática. O piracetam aumenta a fluidez da membrana (15). A diminuição da "rigidez" significa uma melhora na comunicação entre neurônios, no transporte de nutrientes para dentro da célula e na excreção de toxinas.

O piracetam também aumenta a incorporação de fósforo na molécula de fosfatidilcolina, um constituinte da membrana plasmática (16). Ao mesmo tempo, fontes colinérgicas como a citicolina fornecem a colina, também necessária para a síntese da fosfatidilcolina.

Desse modo, há uma sinergia entre o piracetam e a fontes de colina. Ao usar os dois, aumenta-se a biossíntese e recuperação das membranas, protegendo o interior dos neurônios. Além disso, evita-se a depleção de acetilcolina quando se faz uso da colina junto com o piracetam.

A colina não tem nenhum benefício dramático na cognição, por si só, caso você não seja carente nessa vitamina. No entanto, quando alguma droga causa o aumento da atividade neuronal - caso do piracetam - a colina dá suporte para síntese e reposição de acetilcolina (17). 

Conclusão
O piracetam parece muito mais eficiente em indivíduos mais velhos ou com doenças neurodegenerativas, em que o sistema colinérgico já não está funciona também. Nessas situações, o piracetam consegue melhorar as funções cognitivas ou atrasar a progressão dos sintomas da doença.

A administração de colina em conjunto com o piracetam parece permitir resultados ainda mais expressivos. Ambos favorecem a saúde da membrana dos neurônios e, enquanto o piracetam causa diminuição no nível de acetilcolina no hipocampo, a colina repõe tal nível.

A colina ajuda a intensificar os leves efeitos do piracetam na atenção e memória de indivíduos saudáveis
Porém, o uso de piracetam em indivíduos saudáveis não causa um impacto tão significativo. Há um leve aumento na memória e na atenção. Como o mecanismo do piracetam e da colina são altamente interligados, a colina ajuda a aumentar a magnitude dos fracos efeitos cognitivos do piracetam.

É bem provável que o piracetam também aumente a necessidade de colina em pessoas saudáveis. É verdade: em humanos ou animais sem déficits de memória (e com um sistema colinérgico sadio), jamais foi confirmado que o piracetam causa aumento na liberação de acetilcolina. 

Mas é sabido que o piracetam aumenta o metabolismo e a atividade dos neurônios. E, nesse sentido, a colina é útil tanto para proteger contra o surgimento de déficits de acetilcolina, quanto para aumentar a proteção da membrana contra o estresse oxidativo inerente ao aumento do metabolismo.

Usar o piracetam enquanto se tem uma deficiência de colina é, mais uma vez, colocar querosene num Fusca e torcer para que ele ande mais rápido. Essa fé cega não irá aumentar a potência do caro - mas, sim, irá estragar o motor. 

Muitas pessoas sentem dores de cabeça ao fazer o uso do piracetam isoladamente - o que é corrigido com o uso de alguma fonte de colina.

NO PRÓXIMO ARTIGO DO "GUIA DE COLINA": Qual é a melhor fonte de colina? Uma comparação entre as fontes dietéticas, a lecitina de soja, as fontes inorgânicas, o Alpha-GPC, a citicolina e o DMAE.

Quer saber mais?
Se você tem interesse em atingir um maior desempenho mental, não deixe de conferir o meu ebook "Turbine Seu Cérebro", que é o pioneiro sobre o assunto no Brasil.

Uma excelente fonte de pesquisa para iniciante, o "Turbine Seu Cérebro" mostra a ciência por trás dos nootrópicos mais acessíveis e bem estudados pela ciência. Há também minha experiência com vários melhoradores cognitivos.

Por fim, o ebook também é um excelente guia sobre hábitos que favorecem o aumento do desempenho mental (como alimentação e melhor qualidade do sono).


27 comentários:

  1. E o epocler é uma boa fonte colina?

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    1. O Epocler contém 100 mg de citrato de colina a cada 1 mL. Os flaconetes são dispostos em soluções de 10 mL, então, ao todo, tem-se 1000 mg de citrato de colina. Segundo a Anvisa, a Ingestão Diária de Recomendada de colina em adultos é de 550 mg.

      Ocorre que a forma citrato de solina é uma forma salina. A absorção não é tão alta. O uso de lecitinas é uma opção melhor - pois a absorção de colina é mais elevada. Após a ingestão da lecitina, os níveis plasmáticos de colina sobem 285%, em comparação com apenas 86% de aumento após doses elevadas de cloreto de colina (2 - 3 gramas).

      O ovo é uma fonte rica de lecitina, se você não preferir a lecitina de soja (cercada por muitas controvérsias). Há também fontes nobres e pouco acessíveis: Alpha-GPC e citicolina.

      Importante lembrar que o Epocler não é (tecnicamente) um suplemento, mas sim um medicamento vendido sem prescrição. Sua indicação é a "remoção da gordura infiltrada no fígado e outras toxinas". O Epocler auxilia no metabolismo de proteínas e gorduras. Além de colina, ele tem betaína e racemetionina - aminoácidos.

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    2. https://goo.gl/7kzDAj Aqui está a referência para os dados que citei

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    4. Se a ingestão diária recomendada é de 550mg de colina e considerando que um ovo (gema + clara) tem cerca de 100 a 120 mg de colina, não seria melhor indicado a ingestão de 5 ovos por dia? Lembrando que ovos agora já não é mais um vilão e tem inúmeros outros benefícios à saúde

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  2. Será que se eu usar o Nootropil sem a lecitina de soja vou ter dores de cabeça sempre ?Porque a grana esta curta e minha memória esta pífia ,não lembro absolutamente nada e olha q tenho 22 ,e a memoria e o raciocínio parece de cem ou você tem alguma outra opção para que quando eu for ao psiquiatra fale dele?.Será que o nootropil da jeito ?Estou tomando uma vitamina que não esta fazendo efeito algum Vitfort ,muito ruim ,pelo menos pra mim!

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    1. Júlio César, o uso da lecitina de soja ajuda a evitar deficiências de colina. Mas ele não é pré-requisito: existem várias fontes de colina na dieta - ela está nos ovos, por exemplo.

      Se você já tem um histórico de dores de cabeça, muitos nootrópicos podem exacerbar essa predisposição - porque eles interferem com os níveis de neurotransmissores. Um desequilíbrio de neurotransmissores (por exemplo, excesso de glutamato e falta de serotonina) pode favorecer as dores de cabeça. Mas existem muitos outros fatores a se olhar: estresse, falta de exercícios físicos, inflamação.

      O piracetam pode aumentar a atividade do sistema glutamatérgico - e o glutamato é um neurotransmissor que está implicado em dores de cabeça. Então, não é apenas a deficiência de acetilcolina um dos possíveis culpados das dores de cabeça no caso do piracetam.

      Recomendo que não faça o uso sem a orientação de um médico. O piracetam pode não ser ideal para você e ter um custo / benefício muito desfavorável. Não há muitas pesquisas embasando efeitos pró-memória do piracetam em pessoas jovens e sadias.

      Converse com seu psiquiatra a respeito do seu caso específico - e, se desejar, pesquise um pouco a respeito da Bacopa monnieri. Trata-se de uma substância apoiada por muito mais pesquisas científicas no sentido de aumentar a memória do que o piracetam - principalmente em pessoas jovens. A própria Bacopa pode causar dores de cabeça - mas eu acredito que o custo/benefício é muito mais favorável. O seu médico poderá orientá-lo melhor.

      No meu ebook, o Turbine Seu Cérebro, falo mais a respeito da Bacopa e também do 5-HTP - um nootrópico (ou "quase nootrópico") envolvido com a diminuição das dores de cabeça tensionais (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10849040).

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    2. O noopept não seria uma opção boa ?Digo para memoria e raciocínio ?Ele não seria mas eficaz nesse quesito que o Bacopa monnieri?

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  3. Matheus quais os outros nutrientes necessários para o bom funcionamento do nosso cérebro e que podem ser encontrados em forma de suplementos?

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    1. As vitaminas do complexo B, como um todo, são muito importantes para a produção de energia nas células. Cada uma participa de etapas diferentes que conduzem à geração de ATP. Algumas também são cruciais para sintetizar neurotransmissores.

      A carência de zinco está implicada em problemas de aprendizado, depressão e anedonia. É fundamental para a cognição.

      O magnésio também é incrivelmente importante - participando também de reações que envolvem a produção de energia. Sua carência pode causar problemas como ansiedade, estresse e depressão - que não ajudam muito em processos cognitivos.

      O ômega 3 é um poderoso anti-inflamatório, tendo um papel estrutural nos neurônios.

      Há muitos outros nutrientes - outras vitaminas, minerais, fosfolipídeos, antioxidantes - que são fundamentais para, pelo menos, a "baseline" cognitiva. Você pode conferir mais a fundo esses nutrientes e também outros no meu ebook - o Turbine Seu Cérebro: http://cerebroturbinado.blogspot.com.br/2015/08/compre-ja-o-ebook-turbine-seu-cerebro.html

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  5. Boa tarde

    Por favor, responda-me:
    1) Quais suplementos e substâncias podem aumentar a absorção de colina pelo organismo?
    2) Tendo em vista que não há no mercado brasileiro não temos suplementos de colina "especializados" - Alpha GPC, por exemplo -, quais sãos as melhores fontes para se obter ela em um preço acessível? lecitina de soja, levedura de cerveja(?), etc? Além disso, encontrei o produto 'Biotina + Colina' (no extra.com.br, por exemplo), é um produto bom como fonte de colina, e qual a relação da biotina com a colina e efeito daquela sobre o cérebro?

    Grato

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  6. Matheus, boa tarde!

    Atualmente eu tomo Ritalina 10mg para tratar o meu DDA. Você tem algo a dizer sobre a combinação do Piracetam com a Ritalina?

    Aguardo sua resposta.
    Abraço!

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  7. http://lucioalves242.blogspot.com.br/

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  8. Li em uma tabela nutricional que a gema do ovo tem 238 mg de colina a cada 17 g de gema (uma gema), ou seja, teria como trocar a lecitina da soja pela gema apenas ? Seria a mesma eficiência ingerindo na dose certa ?

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  9. Dá para comprar suplemento de colina nos USA , comprar esse suplemento de colina para tomar com o piracetam seria melhor que a lecitina de soja ?

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  10. Quem come 5 ovos ou mais por dia fica livre de tomar o alpha GPC ? Ou ele ai da seria útil?

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  11. Quem come 5 ovos ou mais por dia fica livre de tomar o alpha GPC ? Ou ele ai da seria útil?

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  12. Ola,busquei uma fonte de cloreto de colina, mas não obtive uma resposta bacana, e somente o suplemento de leticina de soja, qual outros, e qual quantidade adequada para se ter um resultado satisfatorio?
    Desde ja grata;
    Dayanna
    dayanna_peres@r7.com

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  13. galera manda fazer na farmacia de manipulaçao.obs tem que ser em uma pequena que nao e uma rede grande se nas grandes redes eles exigem receita.e fala que vc ja mandou fazer outras vezes.j esta acostumada a usar a colina....

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  14. E quando se tem hipotireoidismo e nao se pode fazer uso de nada que venha de soja? como faz?

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  15. Matheus onde eu encontro colina pra vender ? só importada ?

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  16. Muitobom seu blog.!
    No caso de crianças autistas, o que vc acha do uso do Nootropil,
    Obrigada!

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  17. Gostaria de saber como faço para descobrir quanto de colina e inositol tem em 100g de lecitina em pó e liquida para saber a dosagem correta de lecitina de devo ingerir diária. Verifiquei em varias tabelas nutricionais, porém só vem gorduras e carboidratos... Como faço para descobrir? tem um padrão?
    Qual a diferença da lecitina do ovo e da soja?
    Grata.

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  18. Matheus,

    falam muito a respeito da isoflavona, que poderia ter ação feminilizante no homem, causar perda da libido etc. É seguro consumir as cápsulas de lecitina de soja?

    Eu já tenho pouca libido pra minha idade (29 anos). Não quero piorar mais as coisas.

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  19. Meu médico me receitou a ritalina. A suplementação de Ritalina+colina também funciona? ou somente com o piracetan?

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