sábado, 19 de dezembro de 2015

Noopept: o racetam definitivo - PARTE IV - Visões sobre o Noopept

ARTIGO SUJEITO A ALTERAÇÕES (ACRÉSCIMO DE RELATOS)

DISCLAIMER: O Noopept não é registrado na Anvisa. Exceto sob autorização de um médico, não importe e faça uso dessa substância. Esse artigo tem apenas fins de conhecimento e debate.


Nos últimos artigos sobre o Noopept, demos um mergulho profundo na ciência e na história desse nootrópico singular. Só para refrescar a memória (o trocadilho não é intencional), o Noopept é uma molécula relativamente jovem. Foi desenvolvido na Rússia, no início dos anos 90. Ainda assim, ele é um nootrópico bastante estudado.

Comecemos do começo. Era uma vez os cientistas do Instituto de Farmacologia da Academia de Ciências da Rússia. Eles apostavam em criar uma molécula que parecesse com o popular piracetam. No entanto, nesse jogo de Lego de arquitetar um novo composto químico, os químicos que protagonizam essa história podiam usar apenas peças "naturais".

Eles deviam usar somente aminoácidos. Escolheram dois: juntaram a glicina e a prolina - que guardam algumas semelhanças estruturais com o piracetam - e, para dar liga, adicionaram radicais orgânicos nos extremos da molécula de prolilglicina. A história completa você confere aqui, bem como um dos mecanismos de ação do Noopept: ele se metaboliza em um neuropeptídeo endógeno, a cicloprolilglicina, que está envolvida com a memória.

Pronto: daí, surgiu um nootrópico que logo se mostrou muito poderoso nos estudos clínicos. O Noopept revelou um amplo espectro de benefícios cognitivos e efeitos neuroprotetores. Por exemplo, nos ratos que foram submetidos à falta de oxigênio cerebral (uma analogia ao evento de um AVC, por exemplo), o Noopept foi capaz de aumentar a sobrevivência e restaurar a memória.

Experimentos in vitro ainda desvendaram que o Noopept era capaz de atenuar as manifestações de estresse oxidativo, restaurar a homeostase de íons cálcio (um efeito neuroprotetor - uma vez que o influxo constante de muitos íons cálcio é particularmente neurotóxico), estimular a neurogênese e a manifestação de neurotrofinas BDNF e NGF. Essas últimas duas moléculas são como "fertilizantes cerebrais" e tem um papel de destaque no aprendizado e na memória - pois contribuem para a plasticidade do cérebro. Um bocado a respeito dos efeitos do Noopept, você confere aqui.

Ainda, em primeira mão, eu tive o prazer de apresentar aqui a mais recente descoberta sobre o Noopept. Recentemente, divulgou-se que o Noopept é capaz de aumentar um fator de transcrição chamado de HIF-1. Essa última molécula, por sua vez, é capaz de regular a expressão de vários genes envolvidos na oxigenação dos tecidos do corpo. O que mais chama a atenção, contudo, é que, em testes com ratos saudáveis (grifo em saudáveis) - a indução de um aumento de HIF-1 foi capaz de causar "ganhos permanentes na memória" (segundo grifo em permanente!). As pesquisas em torno do HIF-1, você confere ao clicar aqui.

Agora, chegou a hora de ir adiante - e adentrarmos a parte mais "prática". Como o Noopept age num cérebro saudável - quais são os seus efeitos? A ciência fica restrita aos últimos três artigos - esse aqui será totalmente subjetivo. São relatos, experiências pessoais - e, sim, leia-os com (ainda mais) ceticismo. Os relatos abaixo são apenas para fins de entretenimento - e o blog não endossa o uso do Noopept.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Fluoromodafinil: droga 4 vezes mais eficiente que o modafinil pode chegar às farmácias

Começou a corrida para a nova geração dos eugeróicos: empresa francesa iniciará testes em humanos com versão mais arrojada do modafinil. Droga pode deixar as pessoas mais "bem-sucedidas"



É uma tarde tumultuada na Casa Branca, nos Estados Unidos. O Presidente, como se já não estivesse sobrecarregado demais com as suas obrigações usuais, vê o seu governo envolto numa investigação de corrupção. A opinião pública o extermina e a imprensa não o perdoa. Angustiado em meio dessas tensões, a exaustão é notável em seu semblante abatido.

Na intimidade do Salão Oval - o gabinete de trabalho do Presidente - ele recebe os conselhos do seu vice. Percebendo que o vigor do seu superior está esfalecido, o vice-presidente então sugere que ele tire um cochilo no sofá. O vice apenas espera o Presidente pegar no sono para lançar mais um de seus ácidos comentários:

sábado, 12 de dezembro de 2015

Análise de stack: Rhodiola rosea (Fisioton) + piracetam (Nootropil)


Combinar a Rhodiola rosea com o piracetam trás benefícios? É uma mistura arriscada? As perguntas parecem simples - mas as respostas são complexas



Vez ou outra, recebo algumas perguntas espinhosas por email. São pessoas que me questionam se está tudo bem em misturar o medicamento X com o medicamento Y. Minha conduta ao responder esses emails é sempre a de prefaciar que eu não sou médico. Apenas esse profissional está capacitado para fazer uma prescrição - e, certamente, isso acontecerá num consultório e não no correio eletrônico.

"Mas os médicos brasileiros sabem pouco sobre nootrópicos". Isso é mesmo verdade. No entanto, o seu médico é pago por um motivo. Se for necessário, ele terá que pesquisar sobre um medicamento a fim de melhor orientar o paciente. Não adianta fugir. Estude sobre o tema (a intenção do ebook Turbine Seu Cérebro e do blog é justamente essa), leia estudos e consulte a opinião profissional. Caso não haja essa cautela, no final das contas, quem pode sair perdendo será a sua saúde.

Depois de tantas e tantas ressalvas, eu tento contribuir com uma parte da equação: ofertar conhecimento. Sou um leigo. Não posso afirmar "essa combinação é segura - vá em frente e use". Porém, posso fazer uma pesquisa sobre a combinação de dois medicamentos - e reunir todas as informações que eu encontrar e repassar ao leitor. O resultado final tem valor preditivo - mas não definitivo - sobre como duas substâncias interagem entre si.

Sem mais delongas, vou responder sobre uma combinação sobre a qual já fui questionado por pelo menos duas vezes. Como a Rhodiola rosea (comercializada no Brasil sob o nome de Fisioton) e o piracetam (comercializado no Brasil sob o nome de Nootropil e Nootron) interagem num stack? Essa combinação é segura? O mais importante: eles podem deixar alguém "mais inteligente"?

Antes de tudo, vamos dar uma olhada rápida nesses dois nootrópicos individualmente:

domingo, 6 de dezembro de 2015

Cuidado com o Focus X: propagandas que falam sobre "aumento de QI" são falsas

*PUBLICAÇÃO ATUALIZA DIA 29/05/2016 PARA INFORMAR:
Resolução publicada nesta quarta-feira, 25 de maio, no Diário Oficial da União (DOU), pela Anvisa, proibiu a fabricação, comercialização e distribuição do suplemento Focus X em todo o Brasil.

*PUBLICAÇÃO ATUALIZADA DIA 18/12/2015 PARA ENFATIZAR O SEGUINTE:
Propagandas que fazem promessas de "aumento de QI" não são vinculadas à empresa que o produz ou a que o revende.

E PARA ACRESCENTAR O SEGUINTE:
Para mais informações sobre um suplemento com alegações similares, o Genius X, clique aqui.

Até mesmo a TV Cultura caiu nessa. Não existe NZT-48: o Focus X é um suplemento alimentar - e só beneficia quem tem carências nutricionais



Recentemente, eu recebi dois comentários muito parecidos aqui no blog. Os leitores me questionaram a respeito de uma composição chamada de Focus X. O nome já dá  pistas do que se trata. Focus X é alguma mistureba de nootrópicos vendida por uma start-up norte-americana, certo?

Não, errado. Uma googlada depois, eu descobri que, apesar do nome americanizado, o Focus X é verde e amarelo. Mais que isso: também li que essa maravilha nacional - que não é remédio, mas, sim, um suplemento "totalmente natural" - seria capaz de aumentar o meu QI em 47%! Que proposta atraente. Veja com seus próprios olhos o print screen de um dos maiores sites de venda:

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Noopept: o racetam definitivo - PARTE III - O aumento de HIF-1

DISCLAIMER: O Noopept não é registrado na Anvisa. Exceto sob autorização de um médico, não importe e faça uso dessa substância. Esse artigo tem apenas fins de conhecimento e debate.

O Noopept aumenta a atividade do fator de transcrição HIF-1

A boa notícia: o uso do Noopept poderia melhorar o seu cérebro para sempre - e lhe garantir benefícios permanentes na sua capacidade de aprendizado

A má notícia: também poderia favorecer o crescimento de tumores pré-existentes. 

Entenda!

* O Noopept não é um racetam quimicamente, mas é comumente classificado como um pelas similaridades funcionais

INTRODUÇÃO

Relembrando: os poderes do Noopept

Pesquisar sobre o Noopept para essa série de artigos foi um desafio. Esse nootrópico, que é geralmente descrito como um "piracetam potencializado", é ignorado pelos cientistas brasileiros. Ao se procurar por artigos escritos originalmente em inglês, o Noopept continuou na penumbra.

Os esforços para se lançar luz sobre esse fármaco se concentram na Rússia, onde uma equipe de cientistas se dedica a entendê-lo há vários anos. O Noopept foi desenvolvido nos anos 90 no Instituto de Farmacologia da Academia de Ciências da Rússia (clique para lembrar a sua história). E é justamente de lá que nos chegam, até hoje, quase que 100% das investigações científicas a respeito do Noopept. Os pesquisadores russos já publicaram dezenas de estudos, de 1992 para cá, falando das propriedades incríveis do Noopept.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Novidade: fórum Nootrópicos Brasil


Percebo que estamos caminhando a passos largos na discussão sobre nootrópicos e smart drugs aqui no Brasil (ainda bem!). É claro que não chegamos perto dos números da comunidade sobre esses melhoradores cognitivos que existe em inglês. No entanto, muito progresso foi feito nesse último semestre. 

Nootrópicos Brasil - reúne, no Facebook, entusiastas sobre o tema
O primeiro exemplo: no Facebook, o grupo "Nootrópicos Brasil", criado por Tony Oliveira, reúne hoje mais de 700 entusiastas sobre o assunto. O número parece pequeno - mas a atividade dessas centenas de membros é intensa, assim como há uma riqueza nas informações e experiência trocadas por lá. 

Da mesma forma, há alguns meses, existia um deserto de informações especializadas sobre o nootrópico em português. Sei que não houve uma mudança radical - mas meu blog já é um pequeno oásis, contribuindo com conhecimento dos leitores brasileiros interessados no assunto. Espero continuar produzindo material original e em bom português!