sábado, 31 de dezembro de 2016

8 drogas que aumentam a memória comprovadas pela ciência

Ampliar a memória de pessoas saudáveis não é ficção científica. Conheça os medicamentos e suplementos que aumentam a memória

As conexões neuronais mudam constantemente
Vou contar para você algo fantástico sobre o seu cérebro. Tudo aquilo que você faz, a que você presta atenção e tudo o que você pensa altera a estrutura a e a função do seu cérebro. Há apenas algumas décadas os neurocientistas acreditavam que os seus miolos eram inflexíveis como aço inox. Hoje se sabe que a história é bem diferente: sabe-se que o cérebro é bem maleável.

Descobriu-se a neuroplasticidade. De acordo com as atividades e informações a qual é submetido, o cérebro faz ou desfaz as suas conexões neuronais. Isso significa que, depois de ler esses dois parágrafos, o seu cérebro já não é mais o mesmo. E não será mais o mesmo após você ler esse texto.

Essa incrível capacidade do cérebro de remodelar as teias de conexões neuronais é a base do aprendizado e da memória. Durante o aprendizado - ou seja, quando adquirimos novos conhecimentos sobre o mundo - os neurônios modificam suas estruturas e as suas conexões.

Desculpe o transtorno. Estamos em manutenção permanente para melhor atendê-lo

Ao estudar para uma prova, por exemplo, você cria um circuito neuronal específico para aquele conteúdo que você viu. Essas informações podem ficar só por um tempo na memória de curto prazo. Aí está a glória de revisar. Quando você submete o seu cérebro novamente às mesmas informações, você fortalece as conexões daquele mesmo circuito de neurônios. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Minha experiência completa com a sulbutiamina, o nootrópico estimulante



Há alguns anos, comecei a me aventurar pelo mundo dos nootrópicos - substâncias neuroprotetoras capazes de aguçar as habilidades cognitivas. 

A minha primeira experiência foi com o piracetam. Com o piracetam, parecia que várias lâmpadas se acendiam na minha mente. Era como se eu alcançasse um grau maior de lucidez. Mais tarde, com alguns dias de uso, notei outros efeitos bem curiosos - em especial, maior facilidade para escrever textos e também um sutil ganho de memória.

Apesar de inegavelmente eficaz, o piracetam não era uma droga maravilha. Se eu tivesse usado o piracetam com o objetivo de me tornar o rapaz do filme Sem Limites, eu teria ficado desapontado. O piracetam não é um estimulante - não irá envigorá-lo e deixá-lo "ligadão". Alguns pacientes podem até mesmo apresentar sonolência com o seu uso.


Na busca por um nootrópico que amenizasse o cansaço que, inevitavelmente, acompanhava a época de preparação para o vestibular, conheci a sulbutiamina - vendida nas farmácias brasileiras como Arcalion (em embalagem e drágeas similares as da foto acima). Os relatos nos fóruns estrangeiros faziam 1001 elogios aos efeitos psicoestimulantes desse nootrópico.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

SAMe: o antidepressivo do futuro?

ATENÇÃO: não se automedique, nem pare de tomar seus medicamentos sem aconselhamento médico. Não me responsabilizo pelo mau uso das informações desse artigo, nem asseguro que elas sejam totalmente precisas.


De uns tempos para cá, noto que tenho recebido muitos comentários aqui no blog de pessoas que relatam o uso de medicamentos antidepressivos. Coincidência? Creio que não. Não é uma grande surpresa que os pacientes com depressão tenham certo interesse por nootrópicos. 

Digo isso porque a depressão maior afeta a mente de muitas formas. É bem verdade que os problemas de humor e de motivação são os que mais recebem atenção clínica. Mas pacientes com depressão lutam em outra frente de batalha: dos problemas cognitivos. Infelizmente, esse flanco não é tão digno de cuidados médicos.

Os sintomas cognitivos da depressão maior são muito debilitantes, com grande potencial para o prejuízo na vida acadêmica e profissional. Muitas vezes, pacientes com depressão possuem déficits na função executiva - o que envolve dificuldades de ignorar distrações, problemas na capacidade de concentração e indecisão - e comprometimento da memória.

O pior: alguns relatos na literatura dão conta de que os problemas cognitivos permanecem mesmo com a redução dos sintomas e a recuperação.

O lado negro do tratamento da depressão


Os medicamentos antidepressivos hoje em uso não garantem a melhora dos sintomas da depressão

sábado, 26 de novembro de 2016

Como aumentar os níveis de dopamina - parte 1

Alguns suplementos e nootrópicos são capazes de aumentar a dopamina. Conheça as funções e os reais efeitos desse neurotransmissor




Se você, caro leitor, está me lendo agora, então - muito obviamente - você quer turbinar os seus níveis de dopamina. Não se preocupe: essa série de artigos cumpre o que o título promete. Eu lhe contarei as artimanhas químicas de como deixar esse neuroquímico nas alturas (embora, fique claro, para fins de conhecimento científico).

Mas, respire fundo, pegue um cafezinho e volte à leitura do blog. Antes de papearmos sobre como aumentar a dopamina, é do seu melhor interesse entender quais são os reais efeitos da dopamina (será que você realmente sabe?). Parece bobo. Mas é que proliferam-se os conceitos errados que se tem sobre esse mensageiro químico. Então, vamos conhecer aquilo com o que estamos lidando.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Fenilpiracetam: o segredo soviético para a inteligência - parte 1

A história e os efeitos de um dos mais poderosos nootrópicos já sintetizados


Às 16 horas, minha mente funcionava como uma máquina velha, com as suas engrenagens girando a duras penas. Eu não conseguia me concentrar e desviava o meu foco de uma coisa para a outra. Meu cérebro era uma orquestra sem maestro, com um batalhão de músicos inquietos. Não bastasse isso, eu também adoraria cochilar. Só que eu não poderia empurrar mais com a barriga aquele trabalho da faculdade.

Às 16 horas e 30 minutos, era como se todas as engrenagens tivessem sido bem azeitadas. Minha mente era ainda uma máquina - mas que funcionava a todo vapor e que eu era operava. A orquestra agora era conduzida por um maestro que conduzia os instrumentistas a uma sinfonia coerente. Sono? Não, apenas uma grande satisfação em completar o meu trabalho, pouco a pouco.

O que havia acontecido entre as 16h e 16h30?

Resposta: eu havia usado 200 mg de fenilpiracetam - substância descrita como "um nootrópico que melhora a condição física e a cognição", na literatura científica. Molécula relativamente jovem, nasceu na antiga União Soviética, onde se tornou uma espécie de medicamento.

domingo, 5 de junho de 2016

Respondendo aos céticos sobre nootrópicos: um manual

Afirmar que não existem estudos que fundamentem o uso de nootrópicos em pessoas saudáveis é ignorar anos de Ciência. Clique aqui para ler mais.

Não tem novidade nenhuma aqui. Dizer a alguém que você tem interesse em nootrópicos – ou outras intervenções que visam melhorar a capacidade cognitiva – sempre traz à tona respostas prontas e pensamentos  de quem nunca pesquisou a respeito do tema, mas quer, mesmo assim, opinar com aparente bom senso.

Uma reportagem de TV –  como a que foi ao ar no Fantástico (TV Globo) de hoje – com menos de meia hora de duração e voltada às massas certamente ajuda a popularizar o tema. Só que não necessariamente enriquece o debate racional escorado em evidências científicas o sobre os nootrópicos, podendo embaralhar conceitos e confundir as pessoas.

Para responder os questionamentos e confusões comuns sobre o tema, embarquei na ideia do excelente website Smart Drugs Smarts e elaborei um “manual” de como debater com os céticos. Eu espero esclarecer alguns conceitos e injetar certos conhecimentos que são fundamentais para qualquer conversa inteligente sobre os nootrópicos. A edição é do excelente designer gráfico Thauan Mendes (clique para conferir seu trabalho).











Quer saber mais? Confira meu e-book!


Certamente, vale a pena se aprofundar nos nootrópicos e nas intervenções capazes de aumentar a cognição. O propósito dos nootrópicos é preservar o cérebro e, ao mesmo tempo, a depender da substância, melhorar funções como concentração, memória, aprendizagem, raciocínio, resolução de problemas, planejamento, fadiga, motivação e bem-estar.

Eu investigo - em textos científicos e por meio de experiências pessoais - a eficiência e a segurança dos nootrópicos, no meu e-book, o Turbine Seu Cérebro. Os vários nutrientes que são fundamentais para o bom funcionamento do cérebro também são discutidos.

Além de lhe oferecer as minhas experiências pessoais com os nootrópicos, eu também mostro os vereditos da ciência sobre 16 nootrópicos: como eles atuam no cérebro e em que situações eles são úteis. Tudo isso numa linguagem muito agradável e de fácil entendimento.

Clique aqui para saber mais sobre o e-book.

A ciência que respalda os nootrópicos e que a TV Globo não mostrou

Dizer que não existem estudos comprovando a eficiência dos nootrópicos em humanos saudáveis é emitir um auto-atestado de ignorância. Não há prova científica? Aqui está a prova!

Uma equipe do Fantástico, da TV Globo, foi prestigiada com o Prêmio Roche de Jornalismo, em 2015. Por causa de uma série de reportagens investigativas sobre o câncer de mama, o doutor Drauzio Varella e a jornalista Luciana Osório foram agraciados com um diploma como reconhecimento do trabalho sério e do material bem documentado que eles haviam produzido.

Luciana Osório é a mesma jornalista que assina a reportagem especial do Fantástico que foi ao ar no domingo, 5 – a que falou sobre os nootrópicos. Em uma entrevista ao Roche, a jornalista defendeu que “nas reportagens sobre os temas de saúde, a informação científica é a base que deve sustentar qualquer narrativa jornalística – independente do público que desejamos atingir”.

Trata-se de um excelente princípio a se seguir! Infelizmente (e ironicamente), na reportagem produzida por Luciana no domingo, assisti à um excesso de visões ortodoxas, lugares-comum, vozes de quem não se deu ao trabalho de analisar os artigos científicos e ensaios clínicos disponíveis em bancos de dados on-line antes de opinar sobre um tema em rede nacional. 

De tudo, a narrativa jornalística de Luciana Osório foi pobre em ciência - mesmo que contando com o suporte de "autoridades" de cabelo branco e vestidas em um jaleco -, mas rica em erros fatuais. Também foi enviesada pelo status quo (entenda), embaralhou conceitos sem relação e jamais citou o nome de um único nootrópico. 

A matéria confundiu suplementos que faziam propaganda enganosa com nootrópicos (Genius X e nootrópicos dá no mesmo, né?). E ainda concluiu com um pedido para que fizéssemos como nossos bisavós - pois, obviamente, o conhecimento da ciência não avançou nas últimas gerações. Estudar, trabalhar, se esforçar foram colocados como oposição aos nootrópicos - como se os universos fossem opostos e não se complementassem.

O trabalho da jornalista pode até ser bem-intencionado – mas fez tamanho desserviço ao debate racional e guiado pela ciência sobre o tema que poderia muito bem não ter ido ao ar. Como recém-aprovado em Medicina, é um choque ver a aparente ignorância transparecida pelas "autoridades" que foram consultadas para falar sobre os nootrópicos no Fantástico. 

Eles mostraram profundo desprezo por uma coleção de ensaios clínicos, duplo-cego, controlados por placebo, que enfrentaram o escrutínio da revisão paritária (ufa) - facilmente acessíveis pelo Google Acadêmico - e que concluíam: nootrópicos funcionam. Em pessoas saudáveis. Sem déficits cognitivos. 

Como a própria Luciana disse, mesmo que o público seja massificado, a ciência não deve faltar. Faltou. Não só faltou, foi ignorada por "autoridades" aparentemente desatualizadas e, pior -  sem tino para pesquisa (o que seria mínimo esperado para falar sobre o assunto)! 

Diante desse cenário, resta ao humilde autor desse blog desenhar uma longa lista (embora longe de completa e exaustiva) de estudos científicos que respaldam a eficiência dos nootrópicos. Há uma robusteza de estudos em células de cultura e em animais. Foquei nos estudos sobre nootrópicos em humanos saudáveis - aqueles estudos que "não existem", segundo as fontes consultadas pelo Fantástico. Temos muito a avançar quando o assunto é promover o debate científico racional no Brasil. 

O que a ciência diz sobre o piracetam
O piracetam é um medicamento utilizado hoje no Brasil para tratar distúrbios de atenção e de memória de diferentes causas - como o envelhecimento. A ciência, em ocasiões diversas, reiterou que os efeitos do piracetam ocorrem mesmo em indivíduos saudáveis; já performando no auge de suas capacidades cognitivas. Confira o meu livro aqui para ler minha experiência e estudos científicos sobre as ações do piracetam.


quarta-feira, 25 de maio de 2016

Genius X: Anvisa instaura investigação sobre o suplemento

PUBLICAÇÃO ATUALIZADA DIA 29 DE MAIO PARA INFORMAR:
Em resolução publicada no Diário Oficial da União, na última quarta-feira (25), a Anvisa proibiu o Genius X em todo o Brasil. A fabricação, comercialização e distribuição do Genius X está banida no território nacional; a empresa responsável deve recolher o estoque existente no mercado, informou a Anvisa.

Propagandas do Genius X prometem aumentar a inteligência e iludem o consumidor. Anvisa informa que produto está irregular e adverte que consumidor suspenda o uso.


Eu recebo muito frequentemente e-mails e comentários a respeito do suplemento "natural" Genius X. O nome criativo já dá ideia do que se trata. O tal suplemento clama ser um elixir do cérebro. A propaganda só falta dizer que ele é capaz de converter asnos em Einsteins. E mais: anunciantes do Genius X dizem que a "novidade" é totalmente inofensiva. Uma droga da inteligência segura? Calma lá!

Pode mesmo parecer assim, numa primeira vista rasa. Uma rápida pesquisa no Google sobre o Genius X revela uma insistência publicitária por parte de vendedores oficiais e outros aparentemente comissionados em caracterizar o produto como um otimizador cerebral. "Seu corpo vai funcionar melhor, e o seu cérebro também", anuncia o website oficial do Genius X.

Aos quatro ventos, blogs e sites instruem sobre as maravilhas que o Genius X pode proporcionar: "aumento da capacidade cerebral, proporcionando mais foco e maior concentração". Se você não está satisfeito, há ainda destaque para a melhora no rendimento profissional e acadêmico. Mais: anuncia-se também a redução do cansaço mental, a melhora do aprendizado e da "memorização de longos conteúdos".

sábado, 21 de maio de 2016

O Noopept é seguro?

*Na série de artigos E-mail aberto, respondo às dúvidas que os leitores do blog me enviaram via e-mail

Entenda como atua o Noopept e se o seu uso pode ser arriscado


A pergunta de hoje é outro questionamento do e-mail que comecei a responder no artigo anterior (clique aqui para conferir). O leitor Pablo perguntou a respeito da segurança de um nootrópico russo chamado de Noopept (se você é novato, falo um pouco sobre o Noopept logo abaixo). Pablo indaga se o uso desse nootrópico pode ser perigoso. Confira o e-mail abaixo:


Primeiro de tudo, um disclaimer: o artigo tem apenas a intenção de informar e de debater - e não de endosso ou incentivo do uso do Noopept (ou qualquer outro fármaco). Irei responder à essa pergunta prezando, principalmente, pelas descobertas dos estudos científicos que analisaram a questão. Quem deve prescrever e orientar o uso é somente um profissional médico - e fora da Internet!. Dito isso, vamos à Ciência!

Se você está caindo aqui de paraquedas, venha para uma introdução: o Noopept é uma molécula sintética desenvolvida na russa com qualidades antioxidantes, anti-inflamatórias, anti-amnésicas e neuroprotetoras. Os predicados são muitos - e, hoje, o Noopept é vendido nas farmácias da Europa Oriental como um medicamento para melhorar a memória e as funções cognitivas. Para ler mais sobre o Noopept e se inteirar totalmente sobre o assunto, dá um clique aqui para ler meu último artigo.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Noopept: o "segredo da memória" na Rússia


Noopept. O nome pode não ser comum por aqui, mas, na Rússia, comerciais de TV anunciam que esse medicamento é o "segredo para uma ótima memória" e para uma "mente afiada". Não é seguro dizer que, pela ciência, essas alegações se apliquem a pessoas saudáveis - apesar de muitos relatos de indivíduos sem nenhum problema de memória ou raciocínio que notaram "benefícios" cognitivos com o uso da substância. De qualquer forma, em pessoas que já possuem algum comprometimento na capacidade de gravar informações, o Noopept de fato parece ajudar (com efeitos cumulativos). 

Mas onde isso tudo começou? O Noopept é, na verdade, o nome da marca do medicamento. O princípio ativo é uma molécula criada em um laboratório russo no início dos anos 90. O nome original da molécula - éster etílico da N-fenilacetil-L-prolilglicina - não é lá tão amigável nem breve, então vamos continuar com Noopept. 

terça-feira, 17 de maio de 2016

Colina e Noopept: existe sinergia?

Entenda a importância da colina e como essa vitamina interage com o nootrópico Noopept


Como disse no post anterior, vou responder a uma série de e-mails que estão acumulados em minha caixa de entrada na forma de artigos. Desse modo, posso atingir um público maior que tem as mesmas dúvidas que os leitores que me buscaram reservadamente. 

Estreio com a mensagem do leitor Pablo que me questionou, entre outros, se o Noopept, um melhorador cognitivo vendido na Rússia (leia mais) deve, necessariamente ser usado com a colina, uma vitamina do complexo B que ajuda a formar a acetilcolina, um neurotransmissor envolvido na memorização (leia mais). Ainda, o Pablo pergunta a respeito da segurança do Noopept - assunto que merece um artigo a parte. Confira o e-mail:


Nota de retorno

Querido leitor, sei que estive ausente por um longo tempo. Já são quase quatro meses desde que postei meu último artigo. Nesse ínterim, pude ao menos contar com um post do convidado Nooberto, autor do blog IntensaMente. Para quem quiser conferir, eu também escrevi uma publicação no espaço dele

Meu texto – publicado em março deste ano – fala sobre dois nootrópicos: oxiracetam, um psicoestimulante da classe racetam; e o Alpha-GPC, uma molécula endógena que, quando suplementada, atua como uma poderosa fonte de colina. Ainda trato das possíveis sinergias entre os dois– principalmente nos efeitos na memorização e no aprendizado.

Enfim, digressões à parte, eu peço desculpas a todos os leitores que me acompanham (em especial aqueles que enviaram e-mails e comentários que respondi com excepcional atraso ou mesmo ainda não respondi). Minha ausência se deveu, porém, a excelentes causas.

Primeiro, realizei um sonho de muito tempo: fui aprovado em Medicina! Estava na lista de espera para esse curso enquanto efetuava a matrícula em Biomedicina na UFRJ. Agora, irei estudar na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) – e as aulas começam já em junho. Além dos preparativos para a minha mudança de Estado me tomarem bastante tempo, eu também me ocupei com outro compromisso repentino. Esse compromisso - mais uma oportunidade única - também muito positivo ainda é difícil de acreditar. Eu não posso revelar do que se trata (acredite, o suspense não é por um capricho meu!), mas tem a ver com os nootrópicos e logo, logo, se tornará aparente para todos vocês.

Mas, principalmente, entre todas as atividades, eu estive envolvido em outro projeto muito instigante. Fui contatado por um empreendedor, Luciano Abdalla, que está em vias de abrir uma startup nos EUA – visando abastecer o mercado com fórmulas originais (e diligentemente arquitetadas pensando na sinergia dos ingredientes) de nootrópicos. 

Não apenas eu participei intensamente e prestei consultoria no desenvolvimento das formulações, como também desenvolvi parte do conteúdo escrito do website. Esse trabalho certamente me engrandeceu muito. Durante esses meses afastado, estive em contato com as Neurociências e com páginas e páginas de estudos científicos sobre nootrópicos. Escrever sobre nootrópicos em inglês também me permitiu expandir minhas habilidades. Foi uma carga de trabalho muito grande – e acho que nunca aprendi tanto em tão pouco tempo.

Eu nem percebi quanto tempo havia se passado desde o meu último post por aqui. O nível de responsabilidade que esse trabalho exigiu foi muito grande (pela própria natureza dele, não poderia ser diferente). Infelizmente, foi para mim impossível conciliar o serviço com o meu blog. Percebi que aqui é a minha prioridade e que não poderia deixar os leitores que continuaram a me visitar sem nenhum post novo ou mesmo sem resposta. 

Foi por isso eu decidi me afastar do projeto com a startup. Essa decisão veio junto de um grande alívio de poder retornar e me dedicar plenamente ao meu blog (sempre prometia a mim mesmo fazer um novo artigo, mas não encontrava tempo) e também com gratidão ao Luciano. Sem a minha experiência por lá, a minha bagagem não estaria tão enriquecida quanto está hoje. Sinceramente, hoje percebo o quão pouco eu entendia sobre os nootrópicos - e o quanto ainda falta aprender!

O website da empresa está ainda em construção. Gostaria de publicar o link pelo orgulho em ter tido uma participação nele. Mas seria totalmente injusto publicar o link de um trabalho ainda em sua infância e não pronto para exibição. Em muito breve, a ideia será concretizada e eu poderei ter o  prazer de atualizar o post com o nome e a página da empresa!

Enfim, eu não estou aqui apenas para dar justificativas. Eu volto com “a carga toda”, entusiasmado para transmitir novidades e levar conhecimento de melhor qualidade possível aos leitores brasileiros interessados em nootrópicos e em melhoria cognitiva. Eu senti falta desse espaço.

Diante da falta de publicações, e de uma lista de e-mails longa para responder, preferi resolver os dois de uma vez só. Irei publicar aqui alguns dos e-mails que recebo e respondê-los num formato de artigos. Clique aqui para conferir o primeiro.

Atenciosamente,

Matheus Pereira

quinta-feira, 17 de março de 2016

5 antioxidantes para blindar seu cérebro

Por Nooberto, do blog IntensaMente, exclusivamente para o Cérebro Turbinado



Imagine um cupim comendo uma cadeira de madeira. Ele é pequeno mas está lá, e basta ele jantar o cotoco de apenas uma das pernas da cadeira para todo o resto cair.

Pronto: você acabou de entender o problema dos radicais livres!

Eu sei, eu sei, é uma explicação muito simplista, mas nessa primeira colaboração do Blog IntensaMente para o Cérebro Turbinado, eu gostaria abordar esse tema da forma mais didática possível. Entendo os radicais livres, você entenderá a importância dos antioxidantes para o desempenho cognitivo, tema de comum interesse com meu parça Matheus e seus leitores.

Radicais Livres: é uma banda?
Não, mas eles tocam o terror na nossa saúde. A grande contradição é que o oxigênio, aquele mesmo que respiramos, é o que alimenta os radicais livres, em reações geradas em certas situações que o corpo entende como estressantes:
  • Poluição
  • Exercícios intensos
  • Inflamações
  • Agrotóxicos nos alimentos e muitas, muitas outras.
Sim, estamos cercados.

Prendam aqueles radicais livres!
Os radicais livres produzem mudanças adversas que vão se acumulando, e podem ser considerados a raiz de diversos problemas (lembra do cupim?):
  • Envelhecimento precoce
  • Cânceres de toda sorte
  • Danos ao DNA
  • Declínio cognitivo

Aqui que a parada fica séria.
O acúmulo de oxidação gerada por radicais livres causa danos diretos e indiretos ao cérebro, favorecendo a perda gradual da capacidade cognitiva, variando em grau e seriedade de acordo com predisposições genéticas e fatores ambientais

Antioxidantes na cabeça
Antes de fazer sua próxima listinha de compras, vamos entender como os antioxidantes ajudam nossa saúde nesse cenário tenebroso.

Em uma linha, bem simples, do jeito que eu gosto: o nível de estresse oxidativo se dá pela diferença entre a oxidação gerada pelo radicais livres e a quantidade de antioxidantes disponíveis para neutralizar essas reações. Pratica atividade física intensa? Se expõe à poluição? Não come apenas orgânicos? Dá-lhe antioxidantes!

Meus preferidos

  1. N-Acetil-Cisteína (NAC): atua diretamente no cérebro, evitando o estresse oxidativo causado pelo uso de nootrópicos (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20399762).
  2. Vitamina E: ótimo protetor do cérebro, equiparável à selegilina na diminuição da progressão do Alzheimer: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9110909?dopt=Abstract 
  3. Ômega 3: disponível em uma vasta gama de alimentos e suplementos, ele atua não apenas como antioxidante, mas também melhora a capacidade cognitiva (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26901223)
  4. Ácido Alfa-lipoico: também atua de forma importante no cérebro, prevenindo estresse oxidativo (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22560493)
  5. Chocolate: Os flavonoides presentes no chocolate amargo (mínimo 70% de cacau) são comprovadamente benéficos para o desempenho cognitivo (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26047963). Esse eu deixei por último como sobremesa ;)
Eminha busca pelo aumento do desempenho cognitivo, eu dou tanta importância aos antioxidantes como dou aos nootrópicos, e por isso achei que seria válido compartilhar esse conhecimento com quem partilha desse interesse.

Gostou? Então fica ligado, porque a dobradinha Cérebro Turbinado x Blog IntensaMente promete muito mais.

Abraço!

domingo, 31 de janeiro de 2016

Batalha das tiaminas - as diferentes forma da vitamina B1 (PARTE III)

ATENÇÃO: o uso de suplementos deve ser orientada por um nutricionista. Fármacos de prescrição só devem ser usados sob recomendação médica. Esse artigo tem apenas fins informativos e não deve ser usado como conselho médico.

Benfotiamina - promissora, mas incerta


No último artigo, eu falei dos incríveis poderes da sulbutiamina no combate ao cansaço crônico e extremo. Outros efeitos da sulbutiamina residem na regulação do humor, no aumento das memórias de longo prazo, no aprimoramento da resistência física e na superação da disfunção erétil psicogênica. Agora, é hora de conferir a respeito da benfotiamina - outro derivado da vitamina B1.

Batalha das tiaminas - as diferentes forma da vitamina B1 (PARTE II)

ATENÇÃO: o uso de suplementos deve ser orientado por um nutricionista. Fármacos de prescrição só devem ser usados sob recomendação médica. Esse artigo tem apenas fins informativos e não deve ser usado como conselho médico.


No meu último artigo, eu falei que a vitamina B1 é um micronutriente crucial para azeitar as máquinas que mantém a vida funcionando. Muitas enzimas - que são operárias biomoleculares responsáveis por acelerar as reações químicas - só funcionam se houver vitamina B1. 

Inclusive enzimas envolvidas na produção energética. Como energia é algo que nunca pode faltar ao cérebro, não é surpresa que a deficiência de B1 cause um estrago nesse órgão. Foi por causa disso que a sulbutiamina foi inventada. Só que o que logo foi revelado foi que os efeitos da sulbutiamina são bem mais intensos.

Por que a sulbutiamina é a irmã mais bonita da vitamina B1

Batalha das tiaminas - as diferentes forma da vitamina B1 (PARTE I)

ATENÇÃO: o uso de suplementos deve ser orientada por um nutricionista. Fármacos de prescrição só devem ser usados sob recomendação médica. Esse artigo tem apenas fins informativos e não deve ser usado como conselho médico.

Levei a benfotiamina, a tiamina e a sulbutiamina para o ringue


Se tem algo que volta e meia gera certa confusão nos fóruns e comunidades especializados em nootrópicos, é a tal da tiamina. Para quem não sabe, esse é o nome sofisticado que os cientistas dão para a vitamina B1. Até aqui, simples, não? Quase. A confusão é porque "tiamina" aparece em algumas outras palavras: principalmente sulbutiamina e benfotiamina. E então, dá tudo no mesmo? Elas são iguais?

Não. Elas podem até ser irmãs - mas certamente não são gêmeas. As diferenças são grandes. Mas antes de explorar a personalidade de cada uma das tiaminas, há uma questão mais importante que eu não poderia deixar passar. Em primeiro lugar: por que todo esse alvoroço com a vitamina B1? Quem se importa se você não consumir B1 suficiente?

Bom, o seu cérebro é o primeiro a chiar.

Por que seu cérebro não existe longe da vitamina B1

Molécula da tiamina
No meu último artigo, eu expliquei que a vitamina B1 (junto da colina e da B5) exercem um papel importante na hora de fabricar o neurotransmissor acetilcolina. E acetilcolina é um nome que aparece em muitos dos meus textos - isso é porque essa molécula desempenha papéis importantes na cognição: está envolvida na memória e na atenção, por exemplo. Mas, muito além de ajudar seu cérebro a criar mais acetilcolina, a vitamina B1 tem outras funções cruciais.

Vamos por partes: o seu cérebro ama energia. Só assim para manter o telefone sem fio que permite a comunicação entre os neurônios. Mas para conseguir essa energia, seus miolos precisa de comida - de preferência, glicose. E eles arrancam tal combustível do sangue. Não tem socialismo no corpo: o cérebro representa 2% do seu peso corporal, mas suga 20% da glicose entregue pelo líquido (os números são aproximados). Quando o cérebro consegue glicose, já dá para fazer energia, certo?

Quase. Você também precisará de vitaminas do complexo B e minerais para transformar os alimentos em energia. E a vitamina B1 é o óleo da engrenagem de um porção de enzimas - que são as proteínas que catalisam as reações energéticas no corpo. Tradução: sem a vitamina B1, o processo de construir energia fica travado, porque as enzimas não funcionam mais. Menos energia é, portanto, produzida. E lembra quem ama energia?

Seu cérebro sem vitamina B1
Encolhimento do cérebro - inclusive do lobo frontal - é encontrado em alcoólatras (esquerdo), comumente vítimas de deficiências severas de vitamina B1
Vou te ajudar a colocar em perspectiva o prestígio que seus neurônios sentem pela tal tiamina (ou vitamina B1, como queira). Parafraseando o Harrison's Principle of Internal Medicine:
A tiamina é um cofator de várias enzimas, como a transcetolase, piruvato-desidrogenase e a alfa-cetoglutarato-desidrogenase. A deficiência de tiamina produz redução difusa da utilização cerebral de glicose e resulta em lesão mitocondrial (...). A microscopia eletrônica mostra a desintegração das mitocôndrias, condensação da cromatina e inchaço de neurônios em degeneração (...) consistente com excitoxicidade.
Mesmo que você tenha pensado "cara, essa palavra existe mesmo?" diante desse texto denso, dá para ter a noção de que o quadro de uma deficiência de vitamina B1 não é bonito. O cérebro passa a queimar menos glicose, as suas mitocôndrias - as máquinas de fazer a energia que mantém a vida - desmontam e os neurônios apodrecem.

Como você está lendo um blog chamado Cérebro Turbinado, eu vou apostar que a imagem de neurônios necrosados não lhe apetece muito. Mas antes que você corra para se furar com injeções de vitamina B1, continue lendo.

Esse cenário que foi traçado acima é extremo e você provavelmente nunca irá experimentar sinais tão dramáticos de deficiência de tiamina. A menos que você beba uns 7 litros de álcool por dia ou resolva viajar pelos oceanos numa caravela medieval. Eu espero que não seja seu caso. Então, de quanta vitamina B1 você realmente precisa?

Brasileiros precisam de 0,3 mg de vitamina B1 a menos que os ianques
Tudo bem que quadros severos de carência de B1 são raros - mas acredita-se que as deficiências subclínicas sejam bem frequentes. São aquelas causadas em longo prazo, por uma alimentação pobre. Embora insuficiente para deflagrar uma emergência médica, a deficiência subclínica gera sintomas sutis e inespecíficos.

A lista é um coquetel anti-nootrópico e inclui fadiga, baixa qualidade de sono, irritabilidade (quem não ficaria irritado com pouco sono?), memória enferrujada e também problemas na concentração. Você provavelmente não quer nenhum desses. Então, quanta tiamina você precisa por dia?

Difícil dizer. O FDA (a Anvisa ianque) recomenda 1,5 mg de tiamina por dia. Mas, se você está no Brasil, só precisa de 1,2 mg. Ou pelo menos assim diz a nossa Agência. A tal "necessidade diária recomendada" parece o mesmo que tentar adivinhar o número do sapato de alguém que você nunca viu na vida.

Ou, mais provável ainda, essa necessidade pode ser "o mínimo de vitamina B1 que você precisa para não ter sintomas óbvios de deficiência". Há muitos fatores em jogo que podem aumentar suas necessidades de vitamina B1 - e não há uma dose exato para todo mundo.

As variáveis no teorema da B1
Café e açúcar: os dois aumentam as necessidades de vitamina B1
Exemplo: você pratica exercícios físicos? Primeiro, deixa eu lhe dar os meus parabéns - puxar ferro e correr são ambos saudáveis. Até seu cérebro ganha nisso - pois os exercícios ajudam a criar mais BDNF, uma molécula que é quase um "fertilizante cognitivo". O lado ruim da moeda é que os exercícios aumentam suas necessidades de vitamina B1 (e B2 e B6, também).

Ou então, que tal aquele cafezinho que você usa para ficar alerta? Excelente fonte de antioxidantes, mas ele é chamado de um "fator anti-tiamina". É um diurético - e consegue aumentar a excreção da vitamina B1. Uma visão mais detalhada da interação entre o café e os nutrientes pode ser conferida aqui, em inglês. Aliás, outro motivo para  se preocupar com sua ingestão de vitaminas B1 (e as do complexo B como um todo): elas são hidrossolúveis. Daí, são facilmente perdidas pela urina.

Mas voltando ao cafezinho. Você também coloca açúcar nele? Ou então você gosta de uma Coca-Cola para acompanhar o almoço? Não importa - se o seu lance é doce, lá vai outra forma de aumentar as chances de uma deficiência de vitamina B1: alto consumo de carboidratos refinados. Não apenas eles já são pobres em tiamina - mas também atacam por outro flanco: eles aumentam sua necessidade de B1, que é necessária para metabolizar as bombas açucaradas.

Tiamina é fundamental - e não benéfica
Não se assuste. Esse é o seu ciclo de Krebs. Se você deseja mantê-lo a funcionando (e, acredite em mim, você deseja!), então não esqueça dos micronutrientes - entre eles, a vitamina B1
Você já entendeu a ideia. A vitamina B1 está envolvida num zilhão de reações químicas no corpo - inclusive aquelas que envolvem a produção de energia. E é por isso que a tiamina é a menina dos olhos do seu sistema nervoso. Ela garante que as conversas entre os neurônios  - que gastam tremenda energia - se desenrolem harmoniosamente.

Importante notar que não há "benefícios" na ingestão de vitamina B1. Dizer isso dá a ideia de que ela seja um item acessório - quando, na verdade, é um ingrediente inegociável no metabolismo cerebral. Sem ela (ou com pouco dela), a coisa toda vai degringolar. A vitamina B1 é fundamental para você funcionar do jeito que a biologia acredita que você deva funcionar. Não é sobre melhora cognitiva, é sobre manutenção cognitiva. Essa diferença é importante para não confundir uma vitamina com um nootrópico.

Formulações com megadoses de tiamina vendidas comercialmente são indicadas para tratar deficiências severas.

Seus neurônios precisam de mais que uma única vitamina

Antes de seguirmos em frente: as vitaminas do complexo B funcionam como uma orquestra - em especial quando o assunto é transformar alimentos em energia. O mineral magnésio também toma parte nesse processo. Outros micronutrientes também são importantes. Então, para que esse concerto bioquímico seja perfeito, o corpo - o grande maestro - precisará de todos os seus integrantes.

Os acordes só vão estar em harmonia se você não tiver nenhuma deficiência nutricional. É mais fácil garantir isso focando numa alimentação variada (variedade é chave), com fontes preferencialmente "naturais" (ou o mais próximo que temos disso hoje em dia), do que perdendo todo seu tempo para ir ao encalço de uma única vitamina ou de um único mineral específico na sua dieta.

Sem mais delongas, vamos lá falar das fontes alimentares da vitamina B1 (mas, como sempre, tendo a ressalva do parágrafo acima em mente). Peixe, carne de porco, fígado de boi (não faça caretas), castanha-do-pará e cereais integrais como aveia, farinha de trigo (na forma de pão integral) e arroz integral são boas fontes da tiamina.


Era uma vez, no Japão, a sulbutiamina
Quando comer arroz demais se torna um problema para os japoneses
É justamente nos alimentos que mora o prelúdio do nascimento da sulbutiamina. A história desse nootrópico está estreitamente entrelaçada com a dieta oriental. Você deve conhecer o estereótipo que os orientais amam o arroz. É, essa paixão só aumentou com o processamento industrial que permitia transformar o arroz integral em arroz branco, lá no século XIX. O resultado disso foi um arroz mais macio e saboroso. E também menos nutritivo.

A vitamina B1 - e muitos outros nutrientes - se foram juntos com a película do arroz integral. O problema: muitos orientais eram muito dependentes do arroz branco. Isso era quase tudo o que eles comiam. Os dependentes do arroz branco tinham um destino certo: beribéri, uma doença causada pela deficiência de vitamina B1, em que o sistema nervoso é notadamente acometido. É, eu não havia dito que uma dieta variada é importante?

Os japoneses também concluíram isso - aprenderam a lição da pior maneira possível. Diante de uma epidemia de beribéri tomando conta da população, eles chegaram até mesmo a criar um Comitê de Pesquisa de Vitaminas B. No livro Turbine Seu Cérebro, eu conto mais detalhes da interessante história da sulbutiamina - inclusive as anedotas sobre a marinha japonesa, que sucumbia diante da falta da B1.

Fato é que o investimento japonês no estudo da vitamina B1 brindou o mundo com uma versão "melhorada" da tiamina - a sulbutiamiana, como você irá ver no próximo artigo.


TEXTO: Matheus Pereira
IMAGENS: Thauan Mendes

Conheça 16 nootrópicos a fundo




Vale a pena se aprofundar nos nootrópicos. 16 nootrópicos e 5 smart drugs são exploradas em detalhes no meu e-book, o Turbine Seu Cérebro, voltado não apenas para pré-vestibulandos e concurseiros, mas todos aqueles que valorizam o bom desempenho cognitivo. Os vários nutrientes que são fundamentais para o bom funcionamento do cérebro também são discutidos.

Além de lhe oferecer as minhas experiências pessoais com os nootrópicos, eu também mostro os vereditos da ciência sobre 16 nootrópicos: como eles atuam no cérebro e em que situações eles são úteis. Tudo isso numa linguagem muito agradável e de fácil entendimento.

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sábado, 23 de janeiro de 2016

Quando usar colina é inútil

O uso de suplementos alimentares deve ser determinado por um nutricionista. Esse artigo tem somente ideias e opiniões leigas sobre Nutrição - para fins de informação e debate. Não serve para orientação dietética ou médica.

Um guia de como não urinar o seu dinheiro se você usa suplementos para otimizar a síntese de acetilcolina


Existe uma frase popular em inglês que diz "Don't miss the forest for the trees". O ditado basicamente significa que não se deve focar tão obcecadamente em detalhes a ponto de se esquecer do panorama geral. Quando os nootrópicos são o assunto da roda de conversa, o ditado do inglês é digno de recordação.

Quer um exemplo? O alvoroço que se faz em torno da colina - em especial entre os usuários de racetams. Inegável que os que fazem uso do piracetam põem uma pressão extra no sistema colinérgico. Isso porque o nootrópico é capaz aumentar o uso (e, assim, a depleção) do neurotransmissor acetilcolina - que tem um importante papel na memória.

Então, deve-se atentar para a ingestão de colina? Sim, só que oferecer colina ao cérebro é só uma parte de uma equação com muitas (e muitas!) variáveis. O seu cérebro - nem seu corpo - é tão simples a ponto de trabalhar na função linear de "mais colina = mais acetilcolina". As reações biomoleculares não são como uma ilha - uma gama delas se relacionam - e a função matemática é bem mais desordenada. Teoria do caos pura.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Cognitus: novo nootrópico, à base de Bacopa monnieri, chega às farmácias

Sanofi e Herbarium firmam contrato para produção e comercialização de nootrópico

Imagem: peça publicitária
Até mesmo a Forbes - a mais conceituada revista de economia do mundo - está de olho nos nootrópicos. No dia 19 desse mês, o autor Mike Montgomery publicou um artigo a respeito do crescente mercado de otimizadores cognitivos nos EUA. "Nootrópicos serão um grande negócio em 2016", estipula Mike.

Mike parece ter feito uma observação certeira. E não apenas sobre os EUA, mas também sobre o Brasil. É claro que o interesse verde e amarelo avança em passos bem mais lentos - mas as grandes empresas já querem abocanhar suas fatias nesse ramo nascente.

Prova disso é que "duas grandes" - a empresa farmacêutica Sanofi (que comercializava o piracetam) e o laboratório Herbarium - firmaram um contrato para a produção de um novo medicamento. Sob a marca "Cognitus", as duas levam às prateleiras das farmácias do Brasil o extrato da Bacopa monnieri.

Aumento da memória de trabalho
Bacopa. Nunca ouviu falar? Pois é uma erva que já é utilizada há vários séculos pela medicina tradicional para o melhoramento cognitivo. Mas foi só de uns anos para cá que a ciência ocidental moderna confirmou esse potencial terapêutico. São vários os estudos que chegaram à mesma conclusão: embora leve tempo para funcionar - de 4 a 6 semanas - a Bacopa monnieri aumenta confiavelmente a memória. É o efeito mais notável. Ela ainda favorece o raciocínio e otimiza a atenção.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A quantas anda o poder do seu cérebro? Descubra!

Faça esses testes de memória e raciocínio. Compartilhe seus resultados!

Seu cérebro anda afiado? Faça os testes
Quando o assunto é o poder do cérebro, seus genes certamente influenciam. Só que eles são apenas uma parte da equação que determina seu potencial cognitivo. A sua alimentação, seu nível de atividade física - e mesmo sua escolaridade - impactarão aspectos como a memória, reflexos visuais e raciocínio lógico.

Para quem quer saber mais do papel (fundamental) de exercícios físicos e de vários nutrientes no intelecto, vale a pena conhecer meu ebook, o Turbine Seu Cérebro. Basta clicar aqui para conferir mais. A conversa hoje é mesmo no reflexo desses hábitos de saúde. Quais são os seus? Será que eles estão favorecendo ou prejudicando o seu cérebro?

Um site em inglês, o Human Benchmark, lança luz nessa questão. Essa página dispõe de quatro testes rápidos - e até mesmo divertidos - que te darão alguma perspectiva sobre o seu poder intelectual. Há testes que examinam sua memória verbal, visual e numérica (todos eles verificando a memória de trabalho), e também os seus reflexos e tempo de reação.

Melhor que isso: o Human Benchmark vai além de servir como um "termômetro" cognitivo. Dá muito bem para usar o espaço para azeitar as suas engrenagens neuronais. Se tem algo que faz o cérebro enferrujar é o tédio. Nas palavras de um médico, Robert Bender, que concedeu uma interessante entrevista ao Everyday Health"O cérebro quer aprender coisas novas. Quando o cérebro é passivo, ele tem uma tendência a atrofiar".