terça-feira, 18 de abril de 2017

5 excelentes motivos para consumir a apigenina, o nootrópico da natureza

A camomila é fonte natural de apigenina
Você pode nunca ter ouvido falar antes na apigenina, a protagonista deste artigo. Contudo, certamente você já a consumiu. Essa substância - um nootrópico natural - está presente em muitos alimentos, entre eles o chá de camomila. Trata-se de um flavonoide, que é fruto do metabolismo da planta, a Matricaria recutita.

Apresento você à apigenina
Cientistas acreditam que a apigenina seja uma das maiores responsáveis pelas propriedades tranquilizantes da camomila. A apigenina nos deixa mais calmos porque ela consegue se ligar fortemente, no cérebro, aos mesmos locais que drogas como o Rivotril (clonazepam) se ligam.Você pode pensar nela como um benzodiazepínico natural.

Só que além de acalmar os nervos, a apigenina pode ser um nootrópico capaz de melhorar a memória, preservar o cérebro da oxidação e da inflamação, além de exercer efeitos positivos no humor. Confira as propriedades desse nootrópico natural:
1. A apigenina é anti-cancerígena

Na literatura científica, a apigenina é muito reconhecida pelas suas impressionantes propriedades anti-cancerígenas. É verdade que muitos outros flavonoides (como a apigenina) possuem essa qualidade. Ocorre que pesquisas demonstram que, comparada com os 'colegas' da classe, a apigenina é a mais poderosa quando o assunto é protegê-lo contra vários tipos de câncer [1].

Isso também vale para o cérebro. Estudo bem recente, de março deste ano, demonstrou que essa substância natural é capaz de inibir a proliferação do glioblastoma, tumor maligno do cérebro, que é geralmente letal. Os pesquisadores realizaram exames in vitro que demonstraram que a apigenina também estimula a morte das células danificadas, o que diminui a viabilidade desse tipo de tumor [2].

2. A apigenina melhora a memória
A apigenina é capaz de aprimorar a memória e o aprendizado
Mas e sobre os efeitos nootrópicos da apigenina? Há alguns anos, poderia-se até mesmo pensar que ela prejudica o cérebro. Explico: como eu havia dito, a apigenina exerce efeito calmante pela sua capacidade de se ligar com alta afinidade aos mesmos sítios que drogas calmantes como o clonazepam e diazepam, da família dos benzodiazepínicos. Esses medicamentos tem efeitos negativos, como letargia, confusão mental e, mais gravemente: propriedades amnésicas. A apigenina, que compartilha o mesmo mecanismo de ação, então poderia ter esse efeito? 

Um estudo de 1997 verificou isso e descobriu que, na verdade, é bem o contrário. Mesmo quando administrada em ratos em doses muito maiores que as necessárias para se obter um efeito ansiolítico, a apigenina exerceu um efeito melhorador na memória. Em testes de memória, a apigenina tanto conseguiu otimizar a formação de memórias, quanto melhorou a evocação de memórias já formadas.  

Em termos práticos, se os efeitos se aplicarem a humanos, a apigenina poderia ajudá-lo a "absorver" melhor os conteúdos que cairão numa prova (otimizando suas sessões de estudo), quanto, na hora do exame, ajudá-lo a recordar daquilo que você estudou (evitar aquele "branco") [3].

Mais tarde, foi descoberto que a apigenina estimula a geração de novas células neuronais - efeito tanto observado in vitro (num tubo de ensaio) quanto em ratos adultos [4]. Nesse mesmo trabalho, mostrou-se que os ratos que receberam a apigenina tinham uma melhor memória espacial. Também aprendiam melhor.

À esquerda: neurônios controle. À direita: neurônios tratados com apigenina. Sinapses em vermelho

Mais interessante que isso: as pesquisas mais recentes, de 2015, mostram que a apigenina pode ajudar na formação de sinapses mais fortes entre neurônios. A descoberta é mérito de pesquisadores brasileiros, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Eles evidenciaram que, ao aplicar a apigenina em neurônios humanos, in vitro, eles formavam conexões mais fortes e sofisticadas. Perceba na imagem acima: os neurônios tratados com a apigenina (à direita) formam sinapses mais fortes (em vermelho) que os neurônios não tratados com apigenina (esquerda).

Quanto mais intensas são as sinapses que nossos neurônios formam, mais fácil é memorizar informações e, depois, recordá-las. Há bons motivos para se especular que o uso da camomila - rica fonte de apigenina - pode ajudar os neurônios a se comunicarem melhor e assim promover a memória e o aprendizado [5].

No meu livro Turbine Seu Cérebro (clique), você pode conferir outras substâncias  com atividade nootrópica, capazes de aumentar o poder do cérebro e melhorar a memória, concentração e motivação.



3. A apigenina aumenta a motivação, tem efeito anti-depressivo
Além de atuar potencializando a transmissão de GABA (o neurotransmissor 'calmante' do sistema nervoso), a dopamina, serotonina e noradrenalina são outros candidatos para explicar os efeitos psicotrópicos da apigenina. A apigenina é capaz de desarmar uma enzima que destrói esses neurotransmissores, as monoaminoxidases (MAO-A e MAO-B). A literatura descreve a apigenina como potente inibidora da MAO-A [6, 7, 8].  Com essa enzima fora de campo, então dopamina, serotonina e noradrenalina 'circulam' por mais tempo.

Teste de nado forçado
De modo muito coerente, descobriu-se que a apigenina possui atividade antidepressiva e é capaz de aumentar a "motivação" de ratos. Para avaliar isso, os cientistas costumam utilizar um teste interessante: o de 'nado forçado'. Os roedores são colocados num cilindro cheio de água. 

Quanto mais tempo eles gastam lutando como loucas para escapar do recipiente, mais 'motivados' estão. Por outro lado, aqueles que permanecem por mais tempo anérgicos, imóveis, flutuando na água, são ditos mais deprimidos ou desesperançosos. 

Nesse tipo de teste, ratos que recebem a apigenina perseveram por mais tempo: comparado a um grupo controle (sem apigenina), eles permaneceram menos tempo imóveis. Interessante: quando os cientistas aplicaram, junto da apigenina, o haloperidol - uma droga que é anti-dopaminérgica - esses efeitos foram abolidos. Isso leva a crer que, provavelmente, o aumento da motivação conferido pela apigenina seja devido a um incremento na transmissão dopaminérgica no cérebro [9].

4. A apigenina protege os neurônios dos radicais livres
À esquerda: com antioxidantes. À direita: sem antioxidantes

A apigenina também exerce efeitos antioxidantes, isto é, ela combate os radicais livres. Os radicais livres compostos reativos, frutos do metabolismo, que podem danificar o DNA e membranas celulares. Isso é especialmente importante porque o cérebro é um dos órgãos mais suscetíveis e sensíveis ao estresse oxidativo, isto é, ao excesso desses radicais livres. A apigenina é dotada de efeitos neuroprotetores: neutraliza as espécies reativas de oxigênio (uma classe de radicais livres) e impede a depleção da glutationa (o antioxidante-mestre do corpo) [10, 11].

5. A apigenina combate a neuroinflamação e a 'confusão mental'
Já sentiu um 'nevoeiro mental'?
São também notáveis os estudos que demonstram que a apigenina possui benefícios terapêuticos em modelos animais de Alzheimer. Num deles, camundongos tratados com apigenina, oralmente, por oito dias, tiveram uma proteção contra os efeitos neurotóxicos da proteína beta-amiloide - que se acumula em excesso no cérebro de pacientes com Alzheimer [12].

Houve também uma melhora no fluxo sanguíneo cerebral, na capacidade de memória e de aprendizado. A transmissão de acetilcolina foi aumentada. Os camundongos também tiveram um aumento dos níveis de BDNF, uma proteína intimamente relacionada com a plasticidade sináptica e neuroproteção. Os níveis de CREB fosforilado, um fator de transcrição envolvido com a formação de memórias de longo-prazo, também foi aumentado com o uso da apigenina.

Em outro estudo, também foi notado que a apigenina atua como anti-inflamatória: ela pode proteger o cérebro contra uma liberação exagerada de citocinas, que são proteínas pró-inflamatórias [13]. Não são poucas as doenças causadas pela inflamação cerebral - a doença celíaca e a síndrome da fadiga crônica são algumas. Em geral, a inflamação cerebral pode causar o brain fog ("névoa mental") - um leque de sintomas que incluem menor cognição e acuidade mental, dificuldade de concentraçao e perda da memória de curto e de longo prazo [14].

Considerações / Fontes de apigenina / Dicas
Esses efeitos são consideráveis? Muito cedo para dizer. Não há ensaios clínicos, ao melhor do meu conhecimento, que tenham avaliado a atividade terapêutica da apigenina em humanos. Por conta disso, o que se pode dizer é que os resultados colecionados acima são apenas promissores.

É uma outra história confirmá-lo em humanos - mas tudo leva a crer que a apigenina exerça, sim, atividade nootrópica, antidepressiva e ansiolítica. Outro obstáculo é quanto à dosagem da apigenina: não está claro a que 'posologia' se traduziriam, em humanos, os benefícios achados acima, exceto quanto ao efeito ansiolítico.

Doses entre 2,64 mg a 13,2 mg de apigenina já são suficientes para produzir efeitos ansiolíticos, em humanos. Isso indica que essas dosagens - realistas com as encontradas no chá de camomila - são psicoativas. Contudo, é impossível dizer se elas terão efeito nootrópico [15].

Como consumir apigenina? Existem suplementos de apigenina isolada, mas as fontes naturais são suficientes e até melhores, uma vez que, nos alimentos, ela não está sozinha, mas combinada a outros fitoquímicos e outros flavonoides que complementam a sua ação. É como se fosse um stack de nootrópicos natural.

A camomila é uma das maiores fontes de apigenina.  A comercializada no Brasil possui valores entre 4,82 mg/g - 7,85 mg/g de apigenina [16], mas acredita-se que as infusões tenham concentrações de apigenina de 0.8 - 1,2% [17].

Outra fonte relevante é a salsa. Outros alimentos também apresentam apigenina (ela é relativamente comum), mas em menores quantidades.

Como aumentar a absorção de apigenina? Essa é uma preocupação importante, pois um grande problema dos flavonoides é a a sua baixa disponibilidade.

A apigenina dos alimentos é biodisponível em humanos, ou seja, é absorvida no intestino e pode ser detectada no sangue - porém em baixas quantidades - após a ingestão [18]. Alguns estudos apontam que o resveratrol - presente na casca da uva escura - é um biomelhorador, isto é, melhora a biodisponibilidade da apigenina. Há um aumento de 2,39 vezes da concentração de apigenina no plasma quando ela é usada junto com o resveratrol do que quando ela é usada isoladamente [19].

Foi notado que a quercetina, um flavonoide de estrutura química muito similar à da apigenina, consegue cruzar melhor a barreira hematoencefálica e atingir o cérebro quando é coingerido com a vitamina E (alfa-tocoferol) [20].

Referências
[14] Brain “fog,” inflammation and obesity: key aspects of neuropsychiatric disorders improved by luteolin
[15] A RANDOMIZED, DOUBLE-BLIND, PLACEBO-CONTROLLED TRIAL OF ORAL MATRICARIA RECUTITA (CHAMOMILE) EXTRACT THERAPY OF GENERALIZED ANXIETY DISORDER

Um comentário:

  1. Muito interessante, pesquisei sobre suplementos e é bem raro, necessário ter que importar, no entanto, farei o teste com o chá natural mesmo. Tem como disponibilizar algum informativo? 100g equivale a quantos apigenina ? Farei mais pesquisas sobre o assunto para achar dosagem mais correta ao meu peso e dieta.

    ResponderExcluir