domingo, 16 de abril de 2017

Pare de assistir pornografia: o seu cérebro agradece

A neurociência revela o que o consumo do pornô faz com o seu cérebro

Uma catástrofe na saúde pública avança em silêncio. O consumo online de pornografia tornou-se alvo do debate de muitos neurocientistas. Já era tempo. Na Dinamarca, 97,8% dos homens e 79,5% das mulheres entre 18 e 30 anos assistem pornografia, segundo pesquisa. Taxa altíssima. 

Coisa de europeu? Que nada. Uma reportagem da revista Veja acredita que essa "epidema do pornô" está em curso no Brasil. É uma geração verde e amarela que decide fazer justiça com as próprias mãos. Mas o que isso tem a ver com a saúde? É que viver fantasias com a tela de um computador não é o mesmo, para o seu cérebro, do que compartilhar prazer com o parceiro de carne e osso.

A pornografia é igual a uma droga e pode causar grandes estragos ao cérebro. Não sou eu que estou dizendo. O assunto é novo, mas a neurociência começou a desbravá-lo. E descobriu o quanto o cérebro pode ser danificado com o pornô.

Gary Wilson, professor de fisiologia e autor do livro Your Brain on Porn deu uma palestra sobre o tema. Recomendo fortemente que você assista ao vídeo abaixo, com essa palestra. É só ativar as legendas em português. Caso não possa ver, vou resumir o vídeo abaixo.

Para melhor entender o que a pornografia faz com o cérebro, é bom começar sabendo como seus neurônios foram "programados" para lidar com o estímulo sexual. Quando um homem encontra uma mulher sexualmente atraente - uma parceira em potencial - o cérebro libera dopamina. Esse químico é como se fosse uma droga natural de desejo - melhor dizendo, uma droga da busca pelo prazer. Já falei sobre a dopamina aqui no blog. Ela é o combustível da vida e da iniciativa. 

Quando seus neurônios liberam dopamina (que nem na imagem abaixo), é como se eles gritassem: "Vá em frente! Faça de tudo para conquistar isso". É aí que reside o impulso sexual: o desejo inato e primitivo de "caçar" aquilo que é desejado.

Durante a relação sexual, mais ondas de dopamina saraivam pelo cérebro: é para registrar que aquela experiência é prazerosa - e deve ser buscada novamente. Se não houvesse prazer - e se não houvesse a dopamina para nos forçar a buscar esse prazer - então não seria possível a reprodução da espécie.

Acontece que, na era da Internet, nosso cérebro continua com esse mesmo funcionamento do cérebro do homem das cavernas. Fomos projetados para lidar com um número limitado de parceiros sexuais. Mas, para nossos miolos, as atrizes pornográficas são todas percebidas como possíveis parceiras. 

Essa farta - infinita - oferta de "sexo" é uma armadilha para o cérebro. Aí mora o problema: com esse vasto acervo, disponível a alguns cliques, seu cérebro entende que há um grande número de parceiras a seu bel prazer e libera uma avalanche de dopamina de uma só vez, como na imagem 1 (abaixo). Mas a dopamina em excesso prejudica os neurônios. 


Seu cérebro, esperto que é, então decide reagir a esse porre de dopamina. Ele acelera a quebra de dopamina e reduz o número de receptores dela, como na imagem 2, acima. É como se você perdesse a sensibilidade à dopamina com sucessivas maratonas de vídeos pornô. É um mecanismo de defesa do seu cérebro.

Mas surge um problema: mais dopamina precisará ser liberada para se alcançar a mesma satisfação que antes, então algo a mais será necessário. É o mesmo que ocorre com os viciados em comida, álcool, cocaína, crack e anfetamina, para citar alguns. O "usuário", então, precisará fazer mais cliques para ativar a mesma sensação prazerosa.

Pense num viciado em cocaína que começou usando determinada quantidade da droga e, após um tempo, teve que aumentá-la em dez vezes para alcançar o mesmo prazer. O viciado em pornografia começa com fotos, migra para os filmes de sexo, depois vai atrás das produções mais violentas... Tudo isso é para alcançar o mesmo efeito dopaminérgico que antes - como na imagem 3, acima.

E o pior: a dopamina, como eu disse, é a sua fonte de motivação. Se o seu cérebro está menos sensível à dopamina, então a iniciativa para fazer qualquer coisa vai para o ralo. Seja para estudar, ir para a academia, conquistar os seus objetivos. A força de vontade acaba. Qualquer outro tipo de prazer perde a graça.

Ah, e é claro: a libido também diminui. Uma parceira real, de carne e osso, não é páreo para as dúzias e centenas de outras disponíveis na tela do laptop. Como o cérebro está "acostumado" a uma carga pornográfica tão grande, a dessensibilização dopaminérgica fruto disso implica em menor interesse e prazer na atividade sexual.

Gary Wilson compara o quadro atual à epidemia de obesidade recente, que ocorreu pela ampla disponibilidade de alimentos ricos em açúcar e gordura - cujo excesso também interfere com a dopamina cerebral.

O movimento do reboot: os benefícios de largar a pornografia
Diante do número cada vez mais expressivo de cientistas defendendo que o consumo da pornografia pode ser viciante, surge um movimento pregando a "abstinência total". O 'porn reboot' (algo como 'reinicialização'), como é chamado, defende o afastamento completo de vídeos pornográficos.

A teoria desses homens (e também mulheres) que estão deixando a pornolândia é de que, parando o consumo de filmes pornográficos, a energia sexual é exclusivamente reservada aos parceiros. Alguns dos homens do movimento reboot acreditam que a pornografia e a masturbação pode até mesmo, por reduzir o prazer pelo sexo, causar disfunção erétil.

Os adeptos da prática reportam inúmeros benefícios físicos, como melhora do vigor físico e mental; sociais, com mais autoconfiança em relacionamentos; sexuais, como maior libido e ímpeto sexual e até mesmo cognitivos, como melhoras na memória e concentração.

Em um post no Reddit, um abstêmio de cem dias enumera algumas das benesses que ele atingiu. Entre os efeitos, ele relata:
  • Clareza mental, nenhuma "bagunça" na mente. Mente mais afiada e ágil, inclusive com um aumento da memória de curto prazo.
  • Melhor estamina nos esportes
  • Ereções mais vigorosas
  • Diminuição da depressão, maior alegria e prazer ao praticar atividades rotineiras
  • Aumento da confiança ao estar entre pessoas do sexo oposto
  • Melhoras na pele
  • Sentimento de "estar vivo de verdade"
  • Melhor apreciação e admiração pelo sexo oposto
  • Maior disposição - mesmo com menos sono
  • Menos irritabilidade e raiva
  • Aumento da musculatura do peito, pescoço e ombros (sem exercícios
  • Maior concentração ao estudar
  • Menor desejo por álcool e açúcar
  • Tom de voz mais masculino

Rafael Trabasso, designer, 30 anos, descreve o que sentiu e o que mudou em sua vida após um ano sem masturbação e pornografia: 
“Passar por um ‘reboot’ não irá te transformar em outra pessoa; suas qualidades, defeitos e particularidades continuarão contigo. No entanto, você terá mais energia e um olhar renovado sobre a vida e as coisas, podendo assim lidar de maneira mais franca com as adversidades e fazer escolhas mais conscientes”, escreveu.
O que você pode fazer

Se você chegou até aqui, talvez ainda não esteja totalmente convencido em fazer um reboot. Vejo em sites e fóruns comentários como: Não há nada demais em consumir pornografia. Eu não sou viciado. Será mesmo? Se não é mesmo um viciado, por que a resistência em tentar parar de assistir por um tempo, mesmo com tantos relatos positivos e histórias de sucesso? Ao tentar, você perceberá o quanto é difícil parar.

Se deseja usufruir dos inúmeros benefícios de largar o consumo da pornografia, leia o guia Vício em pornografia: como parar?, que já ajudou milhares de pessoas a completarem seu reboot. Trata-se de um livro digital, de linguagem prática, acessível e que fornece um passo-a-passo para ajudá-lo a atingir maior autoconfiança, libido e maior prazer em viver.

Clique aqui para conhecer o livro.

5 comentários:

  1. KKKKKKKKKKKKK. Nenhum comentário neste post. Por que será? As pessoas devem estar com a mão ocupada. KKKKKKKKKKKKKKKKKK

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  2. Tava ocupada, mas agora ñ ta mais :). Obrigado pelo post, vou tentar seguir o conselho!

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  3. Excelente post e excelente livro!

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