segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Cognitus: uma experiência não tão boa

*Cognitus é um medicamento. Seu uso deve ser prescrito por um médico. Não automedique-se.

Tão válido quanto relatar os nootrópicos que provocaram uma diferença notável na minha cognição é falar daqueles que não foram tão úteis. Comigo, esse foi o caso da Bacopa monnieri, vendida aqui no Brasil pelo nome de Cognitus. Não apenas usá-la foi inútil - como também, em termos de desempenho intelectual, fez mais mal do que bem.

O que é a Bacopa monnieri?
Vamos por partes. Para quem não conhece ainda, a Bacopa monnieri é um nootrópico milenar. Escritos indianos de milênios atrás já elogiavam sua capacidade de "rejuvenescer a mente" - e de melhorar memória e concentração.

De décadas atrás para cá, cientistas do mundo todo dedicaram-se a estudar os efeitos da Bacopa. As pesquisas trouxeram resultados fantásticos. Em ratos que receberam a planta, os neurônios do hipocampo - parte do cérebro super importante para consolidar memórias de longo-prazo - mudaram completamente. Eles começaram a desenvolver mais e mais dendritos - a parte que recebe mensagens das células vizinhas. 

Tal como se vários galhos em uma árvore fossem surgindo conforme os ratos recebiam Bacopa. Os neurônios, então, podiam se comunicar cada vez mais e melhor - o que é a base para a formação de memórias. Mais do que qualquer racetam obscuro da vida, como um pramiracetam, a Bacopa coleciona inúmeros ensaios clínicos realizados em pessoas saudáveis, comprovando o seu efeito inegável na memória e habilidades cognitivas.


A minha experiência
Animado com centenas de páginas da literatura científica descrevendo os poderes da Bacopa, comecei o meu próprio human trial. Passei a usar o Cognitus sempre antes de dormir. O horário não era aleatório: a Bacopa tem atividade ansiolítica comparável a de benzodiazepínicos. Imaginei que isso poderia me prejudicar durante o dia.

Eu estava consciente de que os benefícios dessa planta só surgiam de quatro a seis semanas. Leva tempo para se mudar a estrutura anatômica dos neurônios. É muita transcrição gênica e síntese proteica envolvida para que toda aquela arborização dendrítica aconteça. Isso não é do dia para a noite. Então, não esperava muito dos primeiros dias de experimentação.

Contudo, não tive efeitos neutros. Tive efeitos negativos! Com uns quatro ou cinco dias de uso, eu percebia que acordava e ia estudar mais ou menos assim:

Eu geralmente sou bem motivado. Além disso, estava tendo longas horas de sono - então, a privação de necessidades básicas não estava em questão. Contudo, nenhuma dose cavalar de cafeína conseguia me tirar de uma sensação imensa de cansaço, letargia, preguiça e sonolência! Nada mais parecia interessante - o mundo se tornou um tédio.

Passei a cochilar durante as tardes - o que é algo bem fora do meu costume.  Não posso mentir: essa era a única sensação maravilhosa com o uso da Bacopa. Eu dormia que nem um anjo. Parecia a coisa mais prazerosa do mundo (e tudo o que eu queria fazer). Mas assistir aulas se tornou um inferno. Estudar sozinho, então, um martírio. Eu não estava me reconhecendo.


Demorou mais alguns dias até que eu associasse aquela mudança de comportamento com o Cognitus. E, aparentemente, eu não estou sozinho. "Ela me deixa cansado e grogue no dia seguinte", relata um usuário no Longecity. "Venho notando uma grave redução da motivação, aumento da letargia e fadiga muscular geral. Minha produtividade no trabalho começou a sofrer", relata outro, no Reddit.

O que explica esse efeito da Bacopa?
Estranhamente, esse efeito escapa da literatura científica - mas não é difícil encontrar relatos anedóticos como esses acima em fóruns. Mas é possível especular porque a Bacopa pode causar isso.

Algumas investigações demonstram que a Bacopa aumenta os níveis de serotonina; envolvida, de modo extremamente simplista, com a redução da ansiedade e com a sensação de "tudo-está-bem". O rapaz da foto, pleno que só, provavelmente tem serotonina alta (de novo, estou simplificando demais as coisas!). Contudo, ao mesmo tempo, reduz os níveis de dopamina, envolvida com a motivação, interesse e concentração (aprenda mais aqui).



Seja lá o mecanismo em jogo, para mim, o efeito serotoninérgico da Bacopa foi demais. Eu já li relatos de quem teve efeitos incríveis com a Bacopa. Esses talvez sejam menos sensíveis às modificações neuroquímicas que a Bacopa causa. Ou, então, consigam se beneficiar do efeito ansiolítico sem que esse atrapalhe o desempenho diário. 

Para mim, a decisão ficou entre motivação para estudar ou ter uma memória de elefante (para aquele pouco conteúdo que eu conseguisse ler, de tão cansado que eu me sentia). Obviamente, larguei a Bacopa.


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2 comentários:

  1. Tive as mesmas impressões que as suas quando fazia o uso do Cognitus antes de dormir. Acordava meio cansado, com a motivação baixa, questionando se o remédio não estaria fazendo efeito diverso do indicado. Porém, comecei a tomar antes do almoço (a própria bula recomenda que se faça a ingestão junto com uma refeição, para evitar sensações de enjôo) e, diferentemente do esperado, não senti cansaço nem desmotivação ao longo das demais horas do dia. Faço uso desde junho deste ano e somente comecei a perceber certas mudanças depois de 60 dias, principalmente em relação à memorização. Contudo, os efeitos foram bem sutis, nada muito dramático ou surpreendente. Em breve, pretendo suspender o uso, pois não tenho informações sobre as consequências do uso contínuo, e nem sei se a interrupção do tratamento pode trazer desvantagens. Minha próxima experiência será com a fosfatidilserina. Pelo que já li no seu blog, parece ser um nootrópico bastante eficiente!

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  2. Talvez tenha melhor efeito em quem precise de uma ajuda por não se alimentar bem. Em pessoas saudáveis e bem nutridas pode não ter o mesmo efeito que em pessoas comuns da sociedade moderna - subnutridas.

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