sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

7 suplementos que podem aumentar a inteligência e memória, segundo estudos

Não dá para negar o quanto é tentadora a ideia de ter um cérebro mais afiado, com uma memória de elefante, atenção aguçada e raciocínio engenhoso. É um quadro pintado, por exemplo, por filmes como "Sem Limites" e que dialoga com a ambição humana de aprimorar suas próprias capacidades. E se, como na ficção científica, houvesse uma pílula que ampliasse o poder mental?

"Drogas melhoradoras da cognição são também conhecidas como nootrópicos (...) Foi descoberto que alguns melhoradores cognitivos também melhoram as funções cognitivas em pessoas saudáveis, como memória, funções executivas, criatividade e motivação", analisam estudiosos no periódico Frontiers in Psychiatry.

Sim — algumas pesquisas tem concluído que certas substâncias (descrevi 7 delas nesse post) podem ampliar alguns aspectos da nossa capacidade intelectual. Mas é preciso separar a fantasia da realidade. Não há nada que te transformará num Einstein do dia para a noite, como nos filmes: o impacto dessas intervenções pode ser pequeno. 

E, para muitas delas, ainda faltam estudos robustos para estabelecer sua eficácia. Elas também não são isentas de efeitos colaterais, devendo seu uso ser orientado por um profissional da saúde. Confira a lista dessas substâncias que a ciência aponta como (possivelmente) capazes de beneficiar o cérebro. E não deixe de ler meu livro, Turbine Seu Cérebro, para saber mais!

1. Cafeína

Quem não ama um cafezinho como companheiro de estudos? A ciência confirma que a bebida é uma valiosa aliada em longas sessões de trabalho - e o principal pivô é a cafeína. Ela é um estimulante do sistema nervoso central, que atua de modo a reforçar a transmissão sináptica de dopamina, um mensageiro químico envolvido com motivação e atenção. Também estimula o glutamato, mensageiro químico excitatório.

Um estudo publicado na revista Nutrients mostrou que o consumo de 220 mL de café comum (contendo 100 mg de cafeína) acelera a velocidade de processamento de informações e melhora a concentração. A bebida também adoça o espírito: nesse estudo, quem consumiu café sentiu-se mais bem-humorado, alerta e menos cansado mentalmente.

Mas a cafeína é uma faca de dois gumes: em doses mais altas (acima de 200 mg, em geral), pode estimular demais. Daí, o tiro sai pela culatra: é difícil manter a concentração se você estiver agitado e ansioso. O exagero também cobra o preço na forma de palpitações e espasmos musculares.

2. Óleo de peixe

Não é história de pescador: o óleo de peixe pode "azeitar" as engrenagens do cérebro, podendo beneficiar também o estado emocional. Isso porque o suplemento é fonte de EPA e DHA — que são ácidos graxos que conhecemos como ômega-3, nobres nutrientes para os neurônios.

Primeiro porque o DHA compõe a membrana que recobre os neurônios — uma estrutura gordurosa crucial para formar sinapses e conduzir mensagens nervosas. Os ômega-3 também "serenam" processos inflamatórios (arqui-inimigos da saúde neuronal). É o oposto dos ômega-6, combustíveis e inflamatórios, que consumimos dezenas de vezes mais (especialmente nos óleos vegetais).

"Em particular, os ácidos ômega-3 parecem úteis para prevenir ou melhorar sintomas depressivos em uma baixa dosagem de 1 g/dia; EPA parece mais eficaz que o DHA", concluíram pesquisadores.

Em um ensaio clínico, universitários saudáveis que suplementaram ômega-3 tiveram menor reatividade cognitiva — na prática, embarcaram menos em pensamentos negativos diante de frustrações. Além disso, eles estavam "mais dispostos a empreender mais esforço mental em tomadas de decisão". Outro ensaio apontou melhora da memória após a suplementação de DHA.

3. Antioxidantes

Seus neurônios tem um metabolismo pra lá de acelerado. Esse trabalho no 220V gera toxinas oxidantes —  substâncias capazes de "enferrujar" as células nervosas. Antioxidantes são como enviados da ONU em missão de paz: conseguem neutralizar essas substâncias oxidantes.

Daí não surpreende que alimentos ou suplementos especialmente ricos em antioxidantes, como o cacau, beneficiam as funções mentais.

Outros exemplos: uva e mirtilo (blueberry) — duas frutas em polifenóis (classe de antioxidantes). Em artigo publicado na revista Antioxidants, pesquisadores avaliaram um extrato de 600 mg de uva com mirtilo em universitários saudáveis, num teste que exigia esforço mental prolongado. Eles ficaram mais concentrados e com memória de curto-prazo mais afiada apenas 1 hora e meia após ingerir um extrato de 600 mg dessas frutas.

O Pycnogenol — um extrato fitoterápico rico em procianidinas (outra classe de antioxidantes) — também mostrou-se benéfico. Estudantes jovens usaram o extrato por 8 semanas e, após esse período, tiveram mais pontos testes de humor, concentração, memória e funções executivas. Pesquisadores também relataram que eles tiraram notas mais altas em exames universitários.

4. Colina

A colina, nutriente frequentemente negligenciado, importa. Seu nome a entrega: a colina é matéria-prima para a fabricação do mensageiro químico acetilcolina, envolvida com a memorização; baixos níveis de acetilcolina são encontrados na doença de Alzheimer.

É boa ideia ter colina no prato — ela marca presença na gema do ovo, peixes de água salgada, carnes (como fígado e frango) e também em vegetais como brócolis e soja. Um estudo até associou a maior ingestão de colina com melhor performance em testes de memória verbal e visual. 

Mas é improvável que apenas a colina na dieta induza ganhos apreciáveis. Pesquisas têm focado em suplementos de colina, com resultados promissores. Caso da citicolina, que em estudo recente demonstrou-se eficaz em melhorar a memória de pessoas saudáveis (de 50 a 85 anos, com queixas de esquecimento devido à idade), após 12 semanas de suplementação.

Outro estudo mostrou que entre jovens acadêmicos de Medicina, a suplementação de 500 mg de citicolina por 2 semanas promoveu melhoras da performance psicomotora (que depende do nível de alerta do sistema nervoso e da integração de informações sensoriais e motoras) e na precisão da memória de curto-prazo. O uso de 2 gramas de bitartarato de colina também demonstrou benefícios à coordenação visual-motora.

5. Bacopa monnieri


A Bacopa é uma planta com a fama de aprimorar o raciocínio e o aprendizado. E essa reputação não é de hoje: escritos milenares da Índia classificam a Bacopa como uma "medhya rasayana" — medhya significa intelecto; rasayana significa rejuvenescimento — um tipo de tônico cerebral.

Já nos dias de hoje, a ciência verifica se a Bacopa faz jus à sua fama. Em publicação na Neuropsychopharmacology, pesquisadores demonstraram que o uso da erva por 3 meses melhorou a retenção de novas informações em adultos com idade entre 40 a 65 anos.

Pesquisadores australianos indicaram que a Bacopa também pode beneficiar as funções mentais de jovens. 1 hora após receberem o extrato, adultos desempenharam melhor que colegas que receberam placebo em testes de atenção. Eles também tiveram uma queda de cortisol e melhora do humor.

A Bacopa aparenta afetar o cérebro aumentando os níveis de acetilcolina, via efeitos antioxidantes e estimulando o crescimento de dendritos — "antenas neuronais", que captam mensagens e ajudam na formação de sinapses.

Uma revisão recente sobre a Bacopa apontou, porém, que estudos mais robustos são necessários para confirmar seus efeitos. Por ser considerada um medicamento fitoterápico no Brasil, só deve ser usada sob prescrição médica.

6. L-tirosina

Você já deve ter ouvido falar em dopamina e noradrenalina — são dois mensageiros químicos que regulam nossa motivação, concentração e alerta. É aí que entra a l-tirosina na história: esse nutriente, encontrado em alimentos proteicos, é a matéria-prima para fabricarmos dopamina e noradrenalina. 

Em contextos de intenso estresse mental, como atividades intelectuais extenuantes, podemos demandar muita dopamina e noradrenalina. Alguns cientistas defendem que suplementos de l-tirosina podem ser vantajosos em tais cenários, servindo de "combustível" para fabricar mais dopamina e noradrenalina.

No Journal of Psychiatric Research, cientistas escrevem que "a tirosina de fato parece melhorar a performance cognitiva de maneira eficaz, em particular em situações agudamente estressantes ou que exigem muito da cognição. Concluímos que a tirosina é melhorador da cognição eficaz, mas apenas quando (...) há esgotamento temporário de dopamina e noradrenalina".

Outros cientistas concordam: "(...) a ingestão de tirosina combate prejuízos da memória operativa e processamento de informações que são induzidos por situações exigentes como (...) sobrecarga cognitiva. Os efeitos protetores da tirosina na cognição podem ser explicados por sua capacidade de neutralizar o esgotamento dos níveis de catecolamina [dopamina e noradrenalina]".

7. L-teanina

Não confunda alhos com bugalhos, ou "l-tirosina" com "l-teanina". Essa última é quase que exclusivamente encontrada no chá verde — e, mesmo assim, em quantidades ínfimas — e em suplementos, com teores maiores. 

Sabe-se que a l-teanina exerce forte influência no estado mental: aumenta a frequência de ondas alfa no cérebro, o que indica que induz um estado de tranquilidade, mas sem sedação. Algo como um foco calmo. Um estudo demonstrou que a l-teanina promoveu a sensação de tranquilidade e relaxamento — de modo inclusive superior ao alprazolam (Frontal, indicado para ansiedade).

Uma recente revisão sistemática que examinou os resultados de 9 estudos concluiu que "a l-teanina pode auxiliar na redução do estresse e ansiedade em pessoas expostas a condições estressantes".

E uma mente menos turbulenta consegue focar e raciocinar melhor. Isso pode explicar porque a l-teanina melhorou as funções cognitivas como a fluência verbal e as funções executivas (tomada de decisões, planejamento e concentração) em pessoas estressadas. Além disso, naqueles com alta tendência à ansiedade, a l-teanina melhorou o tempo de reação e a atenção visual, segundo estudo publicado no Journal of Functional Foods.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Aniracetam: o que é, mecanismo, eficácia e efeitos colaterais

O que é o aniracetam?

O aniracetam é um fármaco considerado nootrópico - tipo de droga que acredita-se que melhora a inteligência. 

"O aniracetam é membro da classe de drogas dos nootrópicos, que tem um possível efeito de melhorar a cognição", segundo uma descrição publicada no periódico Drugs&Aging.

Esse medicamento foi desenvolvido pela companhia farmacêutica Hoffmann-La Roche no fim dos anos 1970. O aniracetam é prescrito em alguns países europeus para tratar problemas de memória e atenção. No caso do Brasil, essa substância não é aprovada como medicamento.

Comparação com o piracetam

Por sua estrutura molecular, o aniracetam (N-anisoil-2-pirrolidinona) é classificado como um racetam. Assemelha-se estruturalmente ao nootrópico piracetam, que é o protótipo dos racetams.

Uma diferença entre os dois é o que o aniracetam é mais solúvel em gorduras (lipossolúvel), diferente do piracetam, que é hidrossolúvel. Substâncias lipossolúveis atravessam barreiras biológicas com mais facilidade. Daí, especula-se que o aniracetam seria mais eficiente em penetrar no cérebro e agir no sistema nervoso central.

Ao menos em estudos em animais, "de modo consistente, o aniracetam mostrou-se consideravelmente mais potente que o (...) piracetam", segundo revisão de literatura publicada no Drug Investigation

Em camundongos, por exemplo, o aniracetam teve potência dez vezes maior que a do piracetam em corrigir déficits de memória e aprendizado causados por excesso de dióxido de carbono. Isso significa que doses menores de aniracetam foram necessárias para obter um efeito equivalente ao do piracetam.

Quais os efeitos do aniracetam no cérebro?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Ômega-3 (EPA e DHA) como nootrópicos

Ômega-3 (EPA e DHA)

Introdução

EPA e DHA são ácidos graxos poli-insaturados do tipo ômega-3, derivados de fontes marinhas (em especial peixes de águas frias e profundas). São nutrientes essenciais, isto é, que devem necessariamente ser obtidos na dieta. 

O ALA, ômega-3 presente em fontes vegetais (como a chia, por exemplo), precisa ser convertido pelo corpo em EPA e DHA, mas esse processo é pouco eficiente. O óleo de peixe é o suplemento fonte de ômega-3 (EPA e DHA) mais comum.

Mecanismos de ação

O DHA é o ômega-3 predominante no cérebro e acumula-se em regiões cerebrais associadas com memória e aprendizado, como o córtex cerebral e o hipocampo. Exerce papéis fundamentais. O DHA é incorporado na membrana neuronal, onde regula inúmeros processos, como neurogênese, neuroplasticidade, sinaptogênese e fluidez da membrana - o que, por sua vez, tem impactos na velocidade da transdução de sinais nervosos e neurotransmissão.

O EPA pode contribuir com a função cognitiva ao servir de substrato para a fabricação de eicosanoides, que amenizam a neuroinflamação e melhoram o fluxo sanguíneo cerebral devido aos seus efeitos antitrombóticos e vasodilatadores.

Além disso, o DHA melhora o tônus vascular, o que resulta em aumento do fluxo sanguíneo cerebral durante tarefas cognitivas em adultos saudáveis.

Evidências de eficácia

Um ensaio clínico randomizado mostrou benefícios cognitivos em termos de atenção sustentada e velocidade de reação em pessoas saudáveis que suplementaram óleo de peixe (contendo 1,6 g de EPA e 0,8 g de DHA) durante 35 dias. Também houve melhoras no humor, com aumento do vigor e redução de escores de raiva, ansiedade e depressão, segundo o estudo.

Uma revisão de ensaios clínicos, publicada na revista Nutrients, concluiu que:

É improvável que a suplementação com o DHA seja uma "bala mágica" que criará gênios. Porém, por conta da capacidade humana limitada de sintetizar o DHA e do seu papel crítico na função cerebral, parece prudente que indivíduos saudáveis incluam o DHA em suas dietas para um desempenho cognitivo ótimo ao longo de todos os estágios da vida (...).  

Várias organizações internacionais recomendam o consumo de 500 mg ou mais de EPA+DHA por dia ou 2 refeições com peixe ou mais por semana.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Os benefícios do Panax ginseng

Conheça o ginseng HRG80 - versão sofisticada da raiz milenar, usada para aumentar a energia e vitalidade

"Eu nunca me senti tão bem e energizado, em muitos anos. A 'sensação' de energia e foco veio a mim desde o primeiro dia (...). A produtividade e atenção no trabalho têm aumentado intensamente desde então, e eu também durmo melhor". "Eu me sinto muito energizado após usá-lo. É como beber uma xícara de café, para mim".

Os relatos acima, publicados na Amazon, são de usuários entusiasmados com cápsulas de HRG80 - um produto inovador à base de ginseng, da empresa belga Botalys. Nas propagandas, o HRG80 é promovido como uma preparação especial de ginseng, por ser superior e ultraconcentrada em ingredientes ativos "para ajudar você a se sentir energizado o dia todo, todos os dias" (sic).

Eu conversei com Pierre-Antoine Mariage, co-CEO da Botalys e Nicolas Houyoux, diretor de marketing da empresa (a entrevista completa está ao final desta publicação). Eles reforçam as qualidades do ginseng: relatam que, em testes de consumo, usuários do HRG80 relatam sentir mais foco e energia - ao ponto de cortarem seu consumo diário de café. "O ginseng HRG80 definitivamente dá aquela sensação de 'um dia bom e produtivo' se você usá-lo pela manhã", dizem.

Embora o HRG80 tenha sido batizado só em 2018, o uso de raízes de ginseng - de nome científico Panax ginseng - para sentir mais energia e vitalidade não é novidade entre os orientais. Escrituras chinesas milenares já descreviam que o ginseng serve para "manter a mente animada", "melhorar a cognição e inteligência" ou para "encher de vigor o corpo enfraquecido".

"O ginseng é considerado como o rei dos adaptógenos, que são plantas que aumentam a resiliência contra várias fontes de estresse", explicam Mariage e Houyoux. Por conta dessa reputação, o ginseng saiu somente da Ásia e encontrou terreno fértil no Ocidente. Ao lado do HRG80, existem outras dezenas de formulações comerciais à base de ginseng, que vendem-se como remédio para uma vida atarefada, exaustiva e que coloca muitos em parafuso. 

As prateleiras das farmácias brasileiras estão repletas de produtos de ginseng, frequentemente combinado a vitaminas. Algumas bulas dizem que o ginseng serve para "recuperação em casos de fadiga física e mental (como, por exemplo, sensação de desgaste, irritabilidade, dificuldade de concentração)".

Crivo da ciência: ginseng funciona?

Porém, será que, de fato, o ginseng tem bala na agulha? Uma revisão de literatura da Cochrane apontou que o ginseng promove "melhoras de alguns aspectos da função cognitiva, comportamento e qualidade de vida", mas lembrou que ainda faltam evidências contundentes sobre isso.

Já um ensaio clínico mais recente, financiado pela Botalys, investigou especificamente a eficácia das cápsulas de HRG80 para combater sintomas de fadiga e estresse em trabalhadores sobrecarregados. A pesquisa concluiu que a preparação de ginseng beneficiou a "atenção, memória e percepção de estresse após administração única e repetidas por 5 a 12 dias", de modo superior ao placebo.

Gatos e lebres: o que torna o ginseng HRG80 especial

Na imagem, produto comercial vendido no exterior que tem o ginseng HRG80 como seu ingrediente

As conclusões sobre eficácia do ginseng podem ser diferentes entre os estudos - porque nem todo ginseng é igual. As formulações disponíveis na farmácia da sua esquina podem ter variações imensas entre si em termos de perfil molecular, concentração de princípios ativos e, portanto, em efeitos ou resultados.

O ginseng "original", que cresce nas regiões silvestres da China, Coreia e Sibéria está praticamente extinto. A variedade que compramos hoje é de ginseng cultivado em campo - e sua qualidade e potência finais dependem da qualidade do solo, tempo de colheita (quanto mais antiga a raiz, maior sua potência), ataques de pestes, uso de defensivos agrícolas, etc.

É aí que entra o ineditismo do ginseng HRG80, que se vale da hidroponia - técnica em que o solo é substituído por uma solução nutritiva. O HRG80 é cultivado em condições ótimas - num ambiente estéril, protegido, sem uso de agrotóxicos, com controle de temperatura, umidade e luz. Tudo para atingir potência e qualidade similar à do ginseng obtido na natureza.

Técnica de hidroponia: imagem ilustrativa

Esse ginseng ainda é processado com cozimento ao vapor - transformando-o no "ginseng vermelho". O resultado é o HRG80 - segundo pesquisa, com maior concentração e espectro de compostos bioativos, como ginsenosídeos e polissacarídeos de ginseng. Tal coquetel molecular garantiria uma preparação com efeitos mais pronunciados na disposição física e mental.

"Somos capazes de recriar as condições silvestres ideais (...). Nossa variedade de ginseng coreano (Panax ginseng) é chamada de HRG80 e nós a cultivamos em condições específicas a fim de obter um pó de raiz de ginseng rico em constituintes ativos e com um perfil molecular otimizado para propriedades terapêuticas", explicam os membros da Botalys.

É importante enfatizar que o consumo de qualquer preparação de ginseng deve ser orientada por um profissional de saúde - uma vez que ele pode ser contraindicado em algumas situações (por exemplo, para diabéticos) ou interagir com medicamentos eventualmente em uso (por exemplo, antidepressivos).

Entrevista sobre o ginseng HRG80

Confira abaixo a entrevista com Pierre-Antoine Mariage, co-CEO da Botalys e Nicolas Houyoux, diretor de marketing da empresa, sobre o ginseng HRG80. Não há qualquer parceria comercial entre este blog e a Botalys. Também não promovo o HRG80 ou qualquer preparação de ginseng - o objetivo deste artigo é meramente informativo.

O uso do ginseng remonta há muito tempo. Você poderia descrever o seu uso tradicional em países asiáticos? E para que fins as pessoas usam o ginseng na Europa?

Ilustração de raiz de ginseng na China. Johan Niehouf. Via Wikimedia Commons

O ginseng tem sido louvado como uma importante planta medicinal na cultura asiática por milênios. Inicialmente, era considerado um privilégio da nobreza consumi-lo e ele se situa [historicamente] até na origem da fronteira entre China e Coreia. Enquanto originalmente foi considerada uma planta para a longevidade, as autoridades asiáticas hoje reconhecem muitas outras aplicações de saúde específicas, desde saúde cognitiva até sintomas de menopausa.

Surpreendentemente, o potencial do ginseng para a saúde é pouco explorado na Europa. Grande parte dos produtos formulados com ginseng na União Europeia são para fins de energia e/ou para auxiliar no sistema imunológico. Contudo, uma vez que produtos nootrópicos estão tornando-se cada vez mais populares, está crescendo o interesse sobre outras propriedades do ginseng, como foco, ajudar na memória, etc.

Você investigou a eficácia de uma preparação moderna de ginseng (HRG80). Primeiramente, você pode explicar o que é o ginseng HRG80? Como ele é obtido?

Pierre-Antoine Mariage e Paul-Evence Coppée, fundadores da Botalys. Foto via Vives

A potência dos extratos botânicos depende do perfil molecular da planta. O perfil molecular é baseado na variedade da planta e no ambiente de crescimento (acesso à água e a nutrientes, luminosidade, controle de umidade, ataque de pragas, etc.). Numa abordagem clássica, grande parte das variedades [das plantas] são selecionadas pela produtividade e não por suas propriedades medicinais, e as condições de crescimento são diferentes de lugar para lugar e de colheita para colheita.

A BOTALYS decidiu cuidar dessas questões utilizando uma abordagem única. Através da horta vertical em interiores, somos capazes de recriar as condições silvestres ideais para a produção de perfis moleculares otimizados. Além disso, nós desenvolvemos nossas próprias variedades [de plantas] tendo em mente os benefícios à saúde, para de fato obter o melhor fitoterápico.

Nossa variedade de ginseng coreano (Panax ginseng) é chamada de HRG80 e nós a cultivamos em condições específicas a fim de obter um pó de raiz de ginseng rico em constituintes ativos e com um perfil molecular otimizado para propriedades terapêuticas. Como ele é naturalmente rico [em princípios ativos], não precisamos realizar nenhuma extração e apenas cozinhamos o ginseng através de um processo inspirado na tradição coreana (o ginseng vermelho é [obtido através do] ginseng branco cozinhado ao vapor para atingir formas mais biodisponíveis de ginsenosídeos).

Como o ginseng HRG80 se diferencia do ginseng branco típico? Quais são as vantagens da preparação de ginseng HRG80 sobre as preparações tradicionais?

Ginseng vermelho, pó fino obtido após secagem e moagem das raízes cozidas a vapor. Foto via Vives

O ginseng da BOTALYS tem essencialmente 3 principais vantagens:

  • Pureza absoluta: uma vez que nosso ginseng cresce num ambiente interno ultra-purificado, não contém qualquer traço de contaminação, sejam pesticidas, metais pesados ou mesmo solventes (uma vez que nenhuma extração é necessária para obter nosso elevado conteúdo de princípios ativos).
  • Naturalmente rico em ginsenosídeos bioativos: nossa raiz de ginseng é naturalmente rica em ginsenosídeos (> 10%) sem, ser necessário qualquer processo de extração. Levaria mais de 20 anos para obter esse nível na natureza [isto é, em ambiente selvagem]. Para fins de comparação, o ginseng clássico no mercado nutracêutico tem cerca de 3 anos e o ginseng premium tem cerca de 7 anos (quanto mais antigo, mais rico em princípios bioativos).
  • Perfil molecular estável com comprovados benefícios à saúde: nosso ginseng não somente é rico em ginsenosídeos, como também possui tipos de ginsenosídeos bem específicos, uma vez que mais de 80% deles são formas bioativas de ginsenosídeos. De fato, os ginsenosídeos “clássicos” são precursores de formas bioativas de ginsenosídeos e uma fração deles são então convertidas no intestino para tornarem-se biodisponíveis. Formas bioativas são geralmente raras (também chamadas de “ginsenosídeos raros”). Esse perfil único do ginseng oferece uma melhor bioatividade e é consistente de uma colheita para outra, o que leva a benefícios [também] consistentes.

Você descreve que “os participantes desse estudo eram indivíduos ocupados com serviço social – teleoperadores, engenheiros e pessoal de Tecnologia da Informação, que estão constantemente sobrecarregados com tarefas cognitivas e expostos ao estresse social”. Por que estudar o ginseng nesse público em específico?

Ginseng (Panax ginseng) é considerado como o rei dos adaptógenos. Adaptógenos são plantas que aumentam a resiliência contra várias fontes de estresse. 

O principal objetivo do nosso primeiro ensaio clínico foi demonstrar que o ginseng é realmente um poderoso adaptógeno a partir de uma perspectiva clínica. Para esse projeto, trabalhamos com Alexander Panossian, um célebre especialista em plantas adaptógenas, e ele sugeriu testar o produto sob condições de trabalho muito estressantes. Sob essas condições de trabalho, um efeito placebo não é suficiente e você precisa de uma real atividade adaptógena para obter um efeito clinicamente significativo. Por isso, essa foi a "população" analisada.

Quais são os principais resultados do seu estudo? Quais conclusões podem ser tiradas sobre a eficácia do ginseng HRG80, baseado em seus resultados?

Produto HRG80. Foto via Vives.

Há três conclusões que podemos tirar do estudo:

  • HRG80 aumenta significativamente a capacidade de foco sob condições de sobrecarga de trabalho após uma única dose.
  • HRG80 diminui significativamente o estresse percebido sob condições de sobrecarga de trabalho após apenas 5 dias.
  • HRG80 aumenta a performance mnésica (memória) significativamente após 12 dias

Em 2010, uma revisão Cochrane concluiu que “há uma falta de evidências contundentes que mostrem um efeito melhorador da cognição do Panax ginseng em pessoas saudáveis e nenhuma evidência de alta qualidade sobre sua eficácia em pacientes com demência”, principalmente por conta da heterogeneidade dos produtos investigados. Você poderia, por favor, comentar essa conclusão? Por que estudos sobre o ginseng muitas vezes possuem resultados conflitantes?

Como árduos defensores da fitoterapia baseada na ciência, só podemos concordar com a Cochrane nesse quesito. A ampla heterogeneidade das preparações de ginseng e a qualidade bem frequentemente medíocre só pode levar à resultados clínicos conflitantes. Se um estudo utiliza um produto com amplo espectro (ou seja, sem extração de moléculas específicas), pode se beneficiar de todos os constituintes ativos, mas o perfil molecular varia a cada colheita (consequentemente, a eficácia produto varia de um lote para outro). 

Se o estudo utiliza um extrato, a riqueza de princípios ativos é estável, mas o perfil molecular pode ainda assim variar. Além disso, você perde alguns dos princípios ativos (por exemplo, se você purificar ginsenosídeos, você perde a maior parte de polissacarídeos do ginseng, chamados de ginsans).


Isso está na essência da nossa abordagem, uma vez que oferecemos uma planta pura, potente e de amplo espectro, com um perfil molecular consistente. Sempre usamos a mesma variedade de ginseng, desenvolvida sob as mesmas exatas condições, levando a um perfil molecular padronizado e ideal, e portanto a benefícios consistentes à saúde.

Como é usar o ginseng HRG80, subjetivamente? O que as pessoas relatam?

Executamos um teste de utilização com 160 usuários para comparar as diferenças nos efeitos percebidos. Interessantemente, consumidores não apenas relataram um aumento significativo de energia (comparado ao grupo placebo), mas também um sono melhor e uma redução no consumo de café. Então, o consumo de HRG80 definitivamente dá a sensação de “um dia bom e produtivo” se você usá-lo pela manhã.

Você declarou um conflito de interesse, uma vez que você é co-CEO na Botalys SA. Isso deveria despertar algum ceticismo acerca do estudo?

Na verdadeira Ciência, transparência é chave. Mesmo que nosso estudo tenha sido executado por terceiros, demos suporte financeiro aos experimentos e, portanto, nos sentimos na obrigação de mencionar isso na publicação final. Desejamos definir um novo padrão não apenas em termos da qualidade dos produtos, mas também em termos de ética, para um melhor futuro nutracêutico.

O ginseng HRG80 é exportado para outros países?

América do Norte e Ásia são atualmente nossos principais mercados.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Magnésio e as emoções: qual a relação?

A suplementação de magnésio pode ter benefícios para a saúde mental e humor? Conversei sobre esse tema com o médico Thiago Serra e a nutricionista Amanda Castro 

Suplementos de magnésio caíram (literalmente) na boca do povo e não ficam mais parados nas gôndolas das farmácias. Luciano Vigatto, farmacêutico, trabalha há duas décadas - e percebe uma escalada na procura por suplementos como cloreto de magnésio P.A. (pó e cápsulas) e magnésio dimalato. 

"De uns tempos para cá, está vendendo demais. As pessoas compram para tratamento de fibromialgia, dores na coluna e nas pernas", descreve Vigatto, após me enviar a foto da prateleira da drogaria reservada aos suplementos de magnésio.

Foto: arquivo pessoal de Luciano Vigatto / Reprodução

Uma melhora do humor e do estado emocional também motivam a corrida por suplementos de magnésio. Pela Internet, inúmeras páginas e vídeos vendem a ideia de que o mineral ajudaria a combater a depressão e a ansiedade. Mas será que o magnésio de fato pode ajudar a nossa saúde mental? E existem evidências científicas de que ele é eficaz em aplacar a ansiedade e melhorar o humor?

Para buscar a resposta, conversei com o médico Thiago Serra, que é formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) e Pós-Graduando em Psiquiatria [clique aqui para acessar seu Instagram] e com a nutricionista clínica Amanda Castro, formada pela Universidade Federal da Bahia e Pós-Graduada em Alergias e Intolerâncias Alimentares e em Vigilância Sanitária [clique aqui para acessar seu Instagram].

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Nicotina e o cérebro

Entrevista com o médico do esporte João Vitor Nassaralla

"Cigarro é ruim, mas nicotina pode ser boa para o cérebro", lê título do UOL, em 2016. "Adesivos de nicotina podem turbinar o cérebro", afirma a CBN Brasília. Já a Universidade Federal da Paraíba alega que "nicotina pura pode melhorar atenção e memória" em seu website.

Exagero? O quanto de verdade há nisso?

Cientistas e estudiosos de fato acreditam que a nicotina - isolada do tabaco e do cigarro, como nas gomas e adesivos - pode ter efeitos neuroprotetores e melhorar o desempenho mental. 

No periódico Psychopharmacology, pesquisadores analisaram 41 estudos em não-fumantes ou fumantes sem abstinência e concluíram que os "efeitos significativos da nicotina nas habilidades motoras, atenção e memória provavelmente representam uma melhora verdadeira da performance".

Segundo a Escola Médica de Harvard, a nicotina "pode ter um lado bom", citando pesquisas em andamento sobre a eficácia terapêutica da substância na doença de Parkinson, Alzheimer e no Transtorno de Déficit de Atenção.

Diga-me com quem andas, lhe direi quem és...

Cigarros tem uma péssima (e merecida) reputação. Mas a nicotina pode não ser farinha do mesmo saco. O  doutor John Hughes, professor de Psiquiatria na Universidade de Vermont e porta-voz da Sociedade para Pesquisas sobre Nicotina e Tabaco, afirma que "os principais danos do tabagismo não são causados pela nicotina. O câncer e a doença cardíaca associadas ao fumo derivam de carcinógenos e o monóxido de carbono nos cigarros". 

A mesma posição é defendida pelo médico do esporte João Vitor Nassaralla, que entrevistei para elaborar esse artigo.

Gomas de nicotina causam dependência?

A nicotina causa dependência, mas acredita-se que esse risco seja bem maior quando ela é obtida via cigarros, que entregam a substância em segundos e em grande quantidade ao cérebro. 

Outras substâncias presentes no tabaco podem aumentar o potencial de dependência. O doutor João Vitor relembra que aspectos sociais envolvidos no fumo podem contribuir para o vício e que, isoladamente, o potencial de dependência da nicotina é baixo.

O doutor Hughes diz: "eu encontrei pessoas que usam a goma por 15 anos. E a principal queixa delas é o custo da goma".

Porém, uma pesquisa publicada no BMC Public Health soa um alarme: "o vício em gomas de nicotina em pessoas que nunca fumam é provavelmente extremamente raro, mas este estudo sugere que ele pode ocorrer". 

O estudo ainda lembra que os efeitos em longo-prazo das gomas de nicotina são desconhecidos, embora "esse produto seja significativamente menos nocivo que o tabaco".

Com isso, o ideal é que se use essa substância apenas sob supervisão e orientação médica - aspectos individuais devem ser considerados. O doutor João Vitor Nassaralla lembra que a saúde em geral é um importante fator a ser levado em conta antes de se buscar uma substância exógena, como a nicotina, para melhorar as funções mentais.

Um nootrópico? Entrevista com João Vitor Nassaralla

Médico João Vitor 

O médico do esporte João Vitor Nassaralla é adepto do uso das gomas de nicotina - não para parar de fumar, mas para melhorar sua concentração. Ele considera a substância um nootrópico. O médico também compara a nicotina à cafeína, que também é um alcaloide, estimulante e usada para aumentar o foco e energia - mas bem mais aceita e socialmente usada. 

"Eu considero que a nicotina tem efeitos melhores do que a cafeína quando seu objetivo é foco e concentração para executar alguma tarefa criativa ou estudar", diz Nassaralla em publicação no Instagram. "Eu adoro o ato de preparar e tomar café, mas prefiro usar a nicotina quando o trabalho vai me exigir mais foco e concentração".

Tive o prazer de entrevistar o doutor João Vitor Nassaralla, que atenciosamente relatou a sua experiência com a nicotina e os efeitos que observa em seu desempenho cognitivo ao utilizá-la. Ele também descreve em detalhes os possíveis riscos dessa substância.

1. Por que você considera a nicotina um nootrópico? Existem evidências científicas de que ela melhore o desempenho cognitivo?

A nicotina é um excelente nootrópico, por causa de seus efeitos benéficos para o foco, concentração, memória e criatividade. Ela age como agonista de receptores colinérgicos e também está envolvida com a liberação de dopamina.

Inclusive, uma família de receptores colinérgicos que nosso corpo tem é justamente a de receptores nicotínicos. Ela pode ser usada por pessoas saudáveis que querem mais foco, mas também é usada como adjuvante em doenças como Alzheimer ou TDAH.

2. Você contou, num post no Instagram, que costuma usar a nicotina em trabalhos que exigem "foco e concentração", ou quando tem "alguma tarefa criativa". Qual a forma que usa (doses, frequência)? E, por último, pode compartilhar mais sobre os efeitos no humor e cognição que você nota ao usar essa substância?

A nicotina não é uma substância tóxica, apesar de estar associada ao cigarro. Eu uso a nicotina na forma de chiclete, o Nicorette (mas há outros). São chicletes usados por quem quer parar de fumar mas tem dificuldade devido ao vício em nicotina. A nicotina, assim como a cafeína, causa dependência, por isso o uso como nootrópico deve ser moderado.

Eu divido uma pastilha de Nicorette (4 mg) em quatro partes, e uso uma ou duas partes de cada vez (1 - 2 mg). Vale a pena lembrar que você sempre deve começar com 1 mg, e você deve mastigar o chiclete bem lentamente, ao longo de 30min. Eu mastigo o chiclete até sentir o gosto da nicotina, então paro de mastigar e coloco ele no canto da boca por alguns minutos.

Se você usar uma pastilha inteira (4 mg) ou mastigar muito rápido, a nicotina vai ser absorvida em maiores quantidades e você pode ter uma reação colinérgica, que envolve mal estar, sudorese, vômito, taquicardia.

Claro que fumantes não terão estes efeitos, por já estarem acostumados a doses altas.

Há a nicotina em forma de adesivos - porém, nesse caso, há menor controle sobre a sua liberação no corpo. É mais indicada para pessoas que desejam parar de fumar.

3. Como a nicotina se compara à cafeína, que é bem mais utilizada para sessões de estudo ou trabalho? Quais as vantagens (ou desvantagens) que a nicotina tem sobre a cafeína?

Ela tem algumas vantagens sobre a cafeína. Primeiro, que ela melhora alguns aspectos focais, como a capacidade de concatenar ideias. Por isso, ela ajuda bastante na agilidade para escrever ou falar com desenvoltura. Além disso, ela tem um efeito menos súbito, diferente do café, que pode causar agitação.

4. É muito difícil não associar a nicotina ao cigarro. Pode explicar por que os dois são diferentes? Usar nicotina tem os mesmos malefícios do que fumar?

Nicorette, marca de nicotina em gomas. Foto: Arquivo pessoal - João Vitor

A nicotina não é tóxica, ela é apenas a substância que causa a dependência química do cigarro, assim como a cafeína também pode causar dependência. Mas ela não faz mal para nossa saúde. As doenças e malefícios do cigarro vêm das outras centenas de substâncias tóxicas que ele contém. 

Eu utilizo nicotina em doses baixas cerca de 2-3 x por semana, e às vezes passo semanas sem usar e não sinto falta. O potencial de dependência da nicotina isoladamente é baixo. No cigarro ela é mais viciante, pois há aspectos sociais e psicológicos envolvidos. 

A nicotina só não é indicada para quem tem algum tipo de câncer, já que ela pode favorecer o crescimento tumoral. Mas isso também é válido para outras substâncias que usamos diariamente, como açúcar ou glutamina: ambas alimentam tumores.

5. Dito isso, quais os problemas que o uso de nicotina isolada, em gomas ou adesivos, pode causar em seu usuário?

O problema que pode causar é a dependência e a síndrome colinérgica que citei acima, mas ambos problemas são facilmente evitáveis se a dose for bem controlada.

6. Tem dicas para quem deseja melhorar o seu desempenho cognitivo?

O desempenho cognitivo é, antes de tudo, consequência da sua saúde geral. Não adianta usar uma substância ou outra para melhorar a capacidade cerebral se você come mal, dorme mal, se está inflamado, se tem um intestino desregulado... Tudo isso deve ser levado em conta antes de buscar uma substância exógena. Seria como colocar gasolina de avião em um carro que está sem manutenção: não vai adiantar.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Como os exercícios físicos melhoram o humor e o intelecto: uma entrevista com Lucas Monteiro de Carvalho, Mestrando em Ciências Fisiológicas

Uma epidemia silenciosa e crônica avança pelo Brasil. O IBGE divulgou hoje (21) que 1 em cada 4 brasileiros adultos estavam obesos em 2019. Isso corresponde a 41,2 milhões de brasileiros com a doença. Já aqueles com excesso de peso somaram 96 milhões de pessoas – por acaso, você está entre eles?

Seria chover no molhado lembrar que a obesidade pode causar problemas como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono e até alguns tipos de câncer. Mas uma novidade tem se destacado nesse rol de complicações: doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. "A obesidade na meia-idade pode ser considerada um fator de risco para desenvolver doença de Alzheimer na terceira idade", concluiu uma pesquisa publicada em 2019 na Frontiers in Neuroscience.

Diante disso, o educador físico Lucas Monteiro de Carvalho lembra que "apesar de a obesidade favorecer o Alzheimer, o exercício físico parece reduzir as chances do seu surgimento", em publicação em seu perfil no Instagram.

Monteiro é formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e atualmente está realizando um Mestrado em Ciências Fisiológicas também pela UFRRJ. Ele também é membro associado da Sociedade Brasileira de Fisiologia e do Laboratório de Fisiologia e Desempenho Humano, onde desenvolveu projetos com foco na fisiologia aplicada a atividade física

Inúmeras pesquisas fazem coro a Monteiro: manter-se fisicamente ativo pode preservar o cérebro ao longo da vida. E também "dar músculos" às funções cognitivas, mantendo a mente afiada. Em 2019, pesquisadores publicaram na Medicine & Science & Sports & Exercise que a atividade física é associada com risco reduzido de Alzheimer e também ganhos em "velocidade de processamento, memória e funções executivas [que envolvem, por exemplo, tomada de decisões, planejamento e concentração]".

Entrevistei Lucas Monteiro para descobrir mais detalhes sobre essa interessante relação entre exercícios físicos e o cérebro. Em nossa conversa, ele destrincha quais os efeitos fisiológicos da prática de exercícios físicos e explica os benefícios que esse hábito pode produzir. Ele também conta como podemos obter tais benefícios.